Grenier

Photos-Clement-Grenier-20-ans_portrait_w674Nascido a 21 anos atrás na cidade de Annonay, Grenier é um dos maiores talentos da sua geração.

A sua carreira começa com 9 anos de idade, estreando-se na equipa de benjamins do clube local, o FC Annonay. Desde cedo ganhando uma preponderância única, Grenier levou a sua modesta equipa à final da Taça francesa Sub-9, o que levou os scouts dos maiores clubes franceses a tentarem a sua contratação. O interesse mais vincado foi do Olympique Lyonnais, que acaba por contratar o jovem em 2002.

Grenier juntou-se assim ás camadas jovens do colosso nacional e, a verdade, é que nunca mais de lá saiu.

Passando por todos os escalões do futebol de formação, o atleta francês ia-se destacando cada vez que pisava o relvado. Com 16 anos é comparado a Kaká e desperta o interesse de Real Madrid, Arsenal, Chelsea e Inter. Em 2008, o Lyon não tem outra solução e oferece-lhe o primeiro contrato profissional.

Desde 2008 até ao presente, Clément Grenier tem vindo a cimentar o seu lugar no plantel e, neste momento, é um dos titulares da equipa de Rémi Garde.

Jogando no centro do terreno, Grenier destaca-se pela sua qualidade técnica e habilidade, tendo uma enorme facilidade de desembaraçar-se dos adversários.

Com um futuro risonho pela frente, Clément Grenier será com toda a certeza um dos pilares do futuro do futebol gaulês.

Texto de Bruno Sol Pinto

André Gomes, do Porto para o Benfica

tumblr_mcd2a7Nclt1rwbeyfo1_500Médio-centro de grande envergadura física. Preenche o meio-campo como ninguém. Pé direito de grande qualidade técnica e sempre de cabeça levantada. Liderança, organização e visão de jogo são algumas das suas características. Falo obviamente da nova coqueluche do futebol português e encarnado, André Gomes.

Nascido e crescido no Porto, começou desde muito jovem a jogar, neste caso no FC Porto onde chegou mesmo a carregar a braçadeira de capitão. Na época de 2008, André acabaria por ser dispensado do Porto e rumar ao Pasteleira, onde revitalizou a sua carreira para na época seguinte rumar ao Boavista. No 2º ano de júnior, o médio português acabou mesmo por viajar até Lisboa para assinar pelo Benfica onde chegou, viu e ganhou o seu lugar, figurando-se um líder dentro do campo uma vez que chegou mesmo a envergar a braçadeira de capitão do Benfica.

O talento do médio portuense deu nas vistas na época passada como júnior de 2º ano, alcançado o 2º lugar com 30 pontos, 2 atrás do Sporting. A sua afirmação no meio-campo benfiquista valeu-lhe a chamada à Selecção Sub-19, onde realizou o Europeu Sub-19 na Estónia. André Gomes, Agostinho Cá e João Mário formaram o tridente do meio-campo. Portugal caiu na fase de grupos, somando uma vitória frente à Estónia por 3-0, um empate contra Espanha que se viria a sagrar campeã por 3-3 e uma derrota frente à Grécia por 3-2. O médio português somou 2 golos nos 3 jogos o que mostra uma boa veia goleadora. O Europeu serviu como a confirmação da excelente época que André Gomes realizou. Apesar da eliminação prematura na fase de grupos, Portugal demonstrou ter grandes individualidades e podemos estar descansados quanto ao futuro da nossa Selecção.

O médio benfiquista cresceu muito na época passada mas tal só se veio a verificar esta época quando pegou de estaca no meio-campo da Equipa B e de jogo para jogo crescia a um ritmo exorbitante. A sua maturidade, inteligência táctica e capacidade de definição saltaram à vista dos responsáveis encarnados que não perderam tempo em chamar o médio a integrar os trabalhos da equipa principal, após a saída de Witsel, fruto da sua importância na equipa B onde demonstrou ser um elemento preponderante nas boas exibições do Benfica B.

O Benfica B perdeu um médio de transição e organização muito importante na estratégia da equipa mas a equipa principal ganhou um novo recurso para o meio-campo e a longo-prazo Portugal ganhará um patrão para o meio-campo.

Neste momento face às lesões de Carlos Martins e Pablo Aimar, André Gomes surgiu na lista dos convocados e tem agarrado as oportunidades. Jogou 25 minutos para a Taça frente ao Freamunde na vitória por 4-0, onde entrou e fez o último golo da partida. No jogo frente ao Gil Vicente apareceu como surpresa no onze titular face às lesões de Salvio, Gaitán e Nolito que levaram a que Jorge Jesus deslocasse Enzo Pérez para a sua posição de origem. Frente à equipa do Minho, André Gomes voltou a fazer o gosto ao pé e mostrou bons pormenores. O jovem benfiquista jogou ainda 34 minutos frente ao Vitória de Guimarães quando foi expulso com vermelho directo aos 79 minutos. Depois disso, André Gomes entrou a espaços frente ao Spartak Moscovo em casa e frente ao Moreirense fora. Por motivos de força maior, leiam-se lesões, o técnico encarnado aposto em André Gomes no jogo frente ao Barcelona. Nesse jogo o médio-centro foi dos jogadores que mais quilómetros fizeram ao correr quase 14 kms. André Gomes convenceu Jorge Jesus e em Alvalade voltou a ser opção inicial e ao fazer um jogo muito bem conseguido, à imagem daquilo que tinha acontecido em Camp Nou. Contra o Marítimo, o jovem português apenas alinhou 45 minutos ao ser substituído por Enzo Pérez ao intervalo. É certo que falta alguma intensidade de jogo ao rapaz mas isso deve-se sobretudo ao facto de ainda se estar a habituar ao futebol sénior, contudo os aspectos mais fundamentais a nível táctico e técnico estão todos lá. André Gomes demonstra uma grande maturidade para os seus 19 anos. Neste momento é mais importante saber gerir os tempos de jogo para não ameaçar a sua evolução enquanto jogador. Tem de jogar mas não tem de jogar de qualquer das maneiras. Jogará quando tiver de ser e todos os minutos serão essenciais para a sua afirmação como jovem valor do futebol português, o importante é não queimar etapas. Existe uma clara noção que estamos perante um diamante por lapidar e se o processo for bem gerido André Gomes tornar-se-á uma referência do Benfica e de Portugal muito em breve.

André Gomes percorreu a A1 em busca de um sonho, hoje é aposta no Benfica e será muito em breve aposta na Selecção. A história de vida do médio português prova que por vezes mais vale darmos um passo atrás para darmos dois à frente. Foi isso que André Gomes fez quando rumou ao Pasteleira e revitalizou a sua carreira. Hoje mais do que nunca falar do futuro do Benfica e de Portugal é falar do futuro de André Gomes. O jovem oriundo de Santa Maria da Feira, pode ser o primeiro fruto que as equipas B’s fornecem às equipas principais e com isso mudar o paradigma do futebol português, mostrando que existem jovens portugueses de qualidade que só precisam de uma oportunidade para a agarrar com unhas e dentes. Torcemos pelo sucesso do André, porque o sucesso dele será o nosso sucesso.

Movimentos preferidos

O jovem português de 19 anos joga com médio de transição num esquema em 4x4x2. Procurando dar verticalidade ao ataque benfiquista, sem se esquecer de apoiar na transição defensiva, fechando junto de Matic. Penetra muitas vezes zonas mais avançadas, aparecendo nos espaços criados pelos avançados, foi assim que surgiu o golo frente ao Gil Vicente e Freamunde. Em 2 jogos pela equipa principal, já leva 2 golos. É forte nos apoios curtos e nas desmarcações rápidas. Dotado tecnicamente e interpreta bem o jogo.
Ficha técnica

Nome: André Filipe Tavares Gomes

Clube: Sport Lisboa Benfica (POR)

Altura: 188 cm

Peso: 83 kg

Pé preferido: Direito

Data de nascimento: 30 de Julho de 1993

Nacionalidade: Portuguesa

 

 

PS: Este texto foi adaptado de um artigo que o autor escreveu para o site da Revista Futebolista

 

Experiência versus Retorno Financeiro – Hora de Mudança no Futebol Português

13489476A experiência é um posto, diz o adágio popular. Para os clubes ditos ‘grandes’ do nosso futebol é um adágio que parece não ter grande sentido.

Portugal afirma-se cada vez mais como porta de entrada para jovens jogadores oriundos de todo o mundo, com especial incidência para os países da América do Sul como se pode comprovar pelas vastas fileiras de sul-americanos que engrossam os clubes da nossa Liga. Os jovens jogadores e os seus empresários olham para o nosso país, como trampolim para os seus sonhos de chegarem à ribalta do futebol europeu. Apesar de termos uma média de idades superior (26,01 anos)  à das cinco principais ligas europeias os jogadores que entram em Portugal são cada vez mais jovens. Atente-se nas mais recentes contratações dos três grandes do nosso futebol nas últimas épocas. David Luiz, Di Maria, Ola John, Derlis Gonzalez, Juan Iturbe, Valentin Viola, Reyes, James Rodriguez, Kelvin, Atsu só para citar alguns com menos de 21 anos à data da contratação. A aposta na juventude é facilmente explicável pela perspectiva de grandes retornos financeiros que os clubes esperam obter com a sua valorização e posterior venda para ligas mais competitivas tanto em termos económicos como em termos desportivos. No entanto, uma boa equipa constrói-se com uma mescla de experiência e juventude.

Em Portugal, aos 28 anos um jogador é considerado velho. É velho para ser contratado por um grande mas é muito novo para acabar a carreira. Só lhe restam duas opções. Aceita jogar numa equipa de menor dimensão desportiva ou tenta a sua sorte no estrangeiro em campeonatos mais vantajosos do ponto de vista financeiro, mas com pouca visibilidade. Neste ponto tenho que realçar a coragem e ousadia do Braga e de António Salvador que tem aproveitado os proscritos dos três grandes com os resultados que se conhecem. Jogadores como João Vieira Pinto, Nuno Gomes, Alan, Hugo Viana, César Peixoto, Quim, Beto entre outros relançaram as suas carreiras em Braga e criaram um clube de dimensão europeia.

Contudo, fazem falta jogadores experientes no meio de tanta juventude. Na época de 2012/2013 olhando para o plantel principal de Benfica, Porto e Sporting não conseguimos construir um onze inicial com jogadores acima dos 30 anos. No Benfica, Artur Moraes (31 anos), Paulo Lopes (34), Luisão (31), Carlos Martins (30) e Aimar (33) são os jogadores mais velhos. No Futebol Clube do Porto apenas Helton (34) e Lucho Gonzalez (31) pertencem a este clube. No Sporting a mesma coisa. Boulharouz (30) e Pranjic (30) são os jogadores mais velhos do plantel. No total temos nove jogadores dos quais três são guarda-redes. Se nos cingirmos aos que jogam com regularidade a lista diminui ainda mais. De referir que o jogador mais velho da nossa Liga é João Tomás com 37 anos.

Os jogadores mais velhos, além de darem profundidade aos plantéis trazem também com eles um grande capital de experiência que por vezes é crucial e fundamental para a história de uma época particularmente nas fases mais cruciais. Podem não ser sempre titulares, podem jogar poucos minutos, ou podem até jogar um só minuto em toda a época mas muitas vezes são eles que permitem ao clube alcançar os objectivos planeados transmitindo a sua experiência e conhecimentos aos mais jovens.

Olhando para Itália e Inglaterra, vemos os clubes a contratarem jogadores com idades consideradas proibidas em Portugal. Lembram-se de Rubinho, guarda-redes que passou pelo Vitória de Setúbal? Foi contratado pela Juventus aos 30 anos. Rodrigo Palacio foi contratado pelo Inter de Milão ao Génova aos 30 anos. Ferdinando Coppola chegou ao AC Milan aos 34 anos. Rui Costa chegou ao Milan já com mais de 30 anos. Michael Owen foi contratado pelo Manchester United já com mais de 30 anos também. São os chamados jogadores utilitários, que conseguem suprir as necessidades de uma época longa com diversas competições e em que o desgaste acumulado, as lesões e os castigos disciplinares são uma constante.

Imaginam em Portugal, Hugo Viana, Custódio, Alan, João Tomás, Ricardo Carvalho a serem contratados por Benfica, Porto ou Sporting com a idade que já têm? Que jeito não daria ao Benfica por exemplo um Hugo Viana ou um Custódio para suprir as vendas de Javi Garcia e Witsel.

Os clubes portugueses, principalmente aqueles que estão constantemente nas competições europeias, devem repensar a sua forma de gerir os planteis. A criação das equipas B veio possibilitar um maior leque de opções sempre que haja alguma lacuna na equipa principal. No entanto, suprir lacunas com jogadores inexperientes pode revelar-se muitas vezes catastrófico para as aspirações dos clubes e para a carreira do próprio jogador. Um mau timing de entrada na equipa principal pode hipotecar a vida futura de um jovem no seu clube de formação.

Com a entrada em vigor das novas regras de fair-play financeiro da UEFA e da atribuição de subsídios por parte da FPF aos clubes que tiverem mais jogadores portugueses tenho a sensação que este panorama vai mudar drasticamente nos próximos anos.

Texto de Bruno Miguel Espalha