O mérito é do treinador?

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Depois do F.C.Porto se sagrar campeão nacional e arrecadar o 26º campeonato do seu historial, muitos tem sido os ecos gerados em torno da potencial credibilidade e competência que Vítor Pereira poderá oferecer ao conjunto azul e branco durante a próxima temporada. Não é normal, assistirmos a situações, onde uma equipa ganha o titulo nacional e consequentemente, todo o mérito do seu treinador é colocado em causa, num ano em campeonato nacional foi considerado como um dos mais competitivos de sempre.

Pois bem, ontem depois de ouvir diversas opiniões de diversos analistas desportivos, adeptos, simpatizantes e inclusive, depois de constatar a criação de diversos grupos no Facebook a pedir a demissão do técnico natural de Espinho, fiquei completamente estupefacto, como é possível questionar o trabalho de uma equipa técnica que acaba de conseguir atingir o objetivo prioritário estabelecido pelo seu presidente, no princípio da temporada – conquista do campeonato nacional. O futebol é um desporto complexo, no qual o modelo de jogo de cada equipa depende de um conjunto de fatores inerentes a identidade do clube em questão. Ora bem, como todos nos sabemos o Futebol Clube do Porto, é um grande de Portugal, cuja sua dimensão exige que a equipa apresente uma atitude ofensiva e dominadora, assim como um futebol atraente em todos os desafios que dispute durante a temporada, tal e qual como fez na época transata ao comando de Villas Boas.

Contudo, é importante sermos rigorosos e coerentes na análise ao trabalho de Vitor Pereira durante esta época. Nem sempre o futebol espetáculo é sinónimo de sucesso, pois se assim fosse o Barcelona seria uma equipa imbatível onde o fator supressa deixaria de existir. Pois bem, Vitor aparenta ser um profissional extremamente competente, um verdadeiro amante do desporto rei, cuja sua devoção e dedicação ao serviço do conjunto azul e branco pode ser classificado como excelente independentemente do resultado final obtido. Ninguém pode acusar o técnico de falta de empenho ou devoção tendo em conta todas as situações e circunstâncias que assombraram e afetaram o balneário do Olival durante a corrente temporada. Penso que podemos afirmar que a equipa técnica liderada por Vitor Pereira, não teve uma tarefa nada fácil para uma primeira experiencia ao mais alto nível.

O técnico portista teve como principal obstáculo, o declínio motivacional natural que afetou o seu plantel fruto de um desgaste natural. O futebol é feito de ciclos, onde tal como Guardiola afirmou, as relações duradouras são suspeitáveis a um desgaste natural, que pode ser influenciado por diversos fatores. Pois bem, no caso do F.C.Porto, esse desgaste deveu-se ao fato da equipa ter ganho todas as competições em que esteve envolvida (excepto taça da liga), durante a época transata. Ora bem, Vitor Pereira viu-se patenteado por um balneário repleto de campeões, sem objetivos competitivos a nível pessoal, coletivo e motivacional (pois todos foram alcançados na época anterior), mas com gigantescos objetivos financeiros. Depois do brilharete alcançado, grande parte do núcleo duro do F.C.Porto não conseguiu resistir emocionalmente a tentação dos milhões dos tubarões Europeus, ao inverso do seu presidente que foi resistindo dentro das circunstâncias possíveis.

Calculo que não tenha sido fácil para o treinador manter um núcleo fulcral constituído por Fernando, Álvaro Pereira, Moutinho, Belluschi, Freddy Guarin e Hulk (principalmente os três primeiros) motivados e concentrados a 100% nos objetivos do clube, e na assimilação do modelo de jogo do seu treinador, sabendo estes que a possibilidade de serem protagonistas no mercado de transferências e consequentemente verem as suas contas bancárias ser duplicadas, tal e qual como acontecera com o seu ex-colega Radamel Falcão. Não podemos ser hipócritas e pensar que os jogadores não estão em constante contacto uns com os outros. Os jogadores influenciam-se mutuamente através de partilha de ideias e sugestões. O dinheiro é um ciclo vicioso, onde o ser humano nunca esta saciado com o que tem. Todos querem mais e mais e os jogadores não são exceções. Tendo é conta esta situação, é importante relembrar que durante a pré temporada, o treinador azul e branco viu-se obrigado a preparar uma equipa órfã do seu “polvo” Fernando, cuja sua permanência no plantel foi uma incógnita ate ao fecho do mercado, e alicerçada em Falcão que viu a sua transferência para o Atlético de Madrid ser consumada na fase final do fecho do mercado, numa fase em que o técnico já não contava perder o colombiano (usou-o em Guimarães) que consequentemente obrigou-o a depositar uma responsabilidade demasiado prematura e pesada nos ombros da jovem promessa – Kleber – uma pérola contratada no inicio da época para ser lapidada lentamente num processo semelhante ao usado com James Rodriguez e Iturbe (este ultimo ainda em processo de lapidação) mas que viria a não dar resultado, o que obrigou a adpatacao de Hulk na posição 9 e posteriormente a contratação do gigante Janko no mercado de inverno.

Vítor Pereira é um treinador conhecedor e competente na maioria das vertentes do seu trabalho. Um verdadeiro estudioso, que desde dos seus tempos de universidade já se embebia em conteúdo tático e princípios de jogo, que podem ser comprovados pela sua tese sobre o futebol do Barcelona – o Barça de Cruyff classificada com 19 pelo magno Professor Vitor Frade. Contudo, apesar da sua enorme vocação e do seu conhecimento técnico/tático, Vitor apresentou algumas debilidades de alguém que mostrou não ter o necessário sentido de liderança e de comunicação exigido para um líder ao comando de um dragão tão exigente, cujo orçamento anual ultrapassou os 100 milhões e consequentemente foi classificado como o mais elevado de todos os tempos em Portugal. Todas as suas conferências de imprensa apresentaram-se demasiado sofríveis, reflexo de alguém que presenteou alguma dificuldade para se exteriorizar e consequentemente liderar e motivar um conjunto de 24/26 homens que aproveitaram o lado dócil do seu líder para excederem os limites disciplinares e as regras do código de conduta interna do balneário do Olival – caso de Cristian Rodriguez e a suposta agressão a Moutinho e mais recentemente o caso de Álvaro Pereira. Contudo, Pinto da Costa apercebendo-se da fragilidade de liderança do jovem técnico, o líder portista decidiu resgatar Lucho Gonzalez, um líder nato, um conhecedor dos cantos da casa no Olival, um líder capaz de colmatar a lacuna identificada e consequentemente colocar ordem na casa.

O mesmo se aplica a contratação de Paulinho Santos para técnico assistente. Uma aquisição que teve como objetivo fulcral transmitir aos jogadores portistas, toda a mística e paixão que é exigida aqueles que compõem alma portista. Um verdadeiro xeque-mate por parte do líder portista que refletem o porquê de 56 títulos conquistados na modalidade de futebol, em 30 anos de glória a frente do comando portista. Com uma estrutura azul e branca tão forte e em jeito de conclusão, penso que Vitor Pereira tem as condições necessárias para continuar a frente do F.C.Porto. De certeza que o técnico portista irá refletir sobre as debilidades sentidas durante a corrente temporada e irá consequentemente evita-las na próxima época.

Artigo de João Pedro Sacramento

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