Liga da Vergonha

Em Portugal, fim-de-semana após fim-de-semana, tornou-se um hábito e consequente rotina, constatar que após o apito final nos desafios da Liga Zon Sagres e Orangina, os meus meios de comunicação são proliferados por declarações impetuosas dirigidas por diversos dirigentes desportivos, nas quais questionam e acusam sem qualquer benefício de dúvida os árbitros nacionais de falta de credibilidade e seriedade. Ano após ano, o grau de contestação e nível de polémica gerada, tem vindo aumentar significativamente. Inclusive, diversas equipas têm sido instruídas pelos seus líderes a aderirem a uma espécie de blackout, onde os seus jogadores são proibidos de falar publicamente aos meios de comunicação.

Este tipo de iniciativa tem como finalidade manifestar o desagrado em relação aos árbitros, a quem muitos líderes intitulam e apelidam recorrentemente de ladrões. Pois bem, esta cronica, não tem como finalidade comentar ou ajuizar qualquer tipo de performance dos árbitros portugueses durante a corrente temporada, assim como não pretende questionar o grau de veracidade das declarações dos líderes dos clubes em Portugal, em relação as arbitragens. O objetivo é sim, fazer uma chamada de atenção aos líderes desportivos em relação ao caos e desequilíbrio que estes têm vindo a gerar no sistema financeiro das equipas nacionais. Antes de afirmarem vezes sem conta que os árbitros são uns LADRÕES, é importante que estes comecem a ter noção e consciência, de que os maiores ladrões no futebol nacional são eles próprios. Ladrão não é só aquele que rouba (fisicamente) um bem material. Ladrão pode ser aquele que recruta mão-de-obra, usufrui dela, e não cumpre monetariamente com os seus deveres, ou seja não paga os valores estipulados nos contratos. É triste verificar que em pleno século XXI, a edição 2011/2012 do campeonato nacional, uma das edições desportivamente mais competitivas de sempre, fique manchada por uma onda de incumprimento financeiro por parte dos clubes, onde o atraso nos pagamentos dos ordenados dos atletas e funcionários dos clubes ascende em alguns casos a 4/5 meses. UMA VERGONHA. Fair play financeiro? É tudo uma treta, os clubes continuam a fazer o que querem. Rigor orçamental? Zero. Que adianta apresentar um orçamento X se os clubes vão gastar Y? Não é preciso ser formado em economia para perceber que se o valor da despesa é maior do que o valor da receita, o resultado final será prejuízo. Logo se há prejuízo contínuo, a empresa tornar-se-á financeiramente inviável e consequentemente falída. Os clubes de futebol, são instituições constituídas por ativos (jogadores e funcionários), que tal como qualquer empresa tem receitas e despesas, o que implica que tem de ser viáveis. Estou cansado de ouvir os líderes políticos usarem o argumento da crise mundial financeira como justificação para tudo. A crise é uma realidade, contudo não implica que não haja rigor e responsabilidade. Existe uma necessidade logica, dos clubes se adaptarem as necessidades reais do contexto em que estão inseridos. A lei da adaptação afirma que o ser humano deve adaptar-se ao meio ambiente em que está inserido, caso contrário a espécie tenderá a desaparecer devido a inadaptação ao meio. Pois bem, se um clube não é viável financeiramente, das duas uma: Ou se adaptam e decidem estabelecer cortes orçamentais, assumem viver de acordo com as suas possibilidades e conseguem assegurar a continuação do clube, ou continuam a viver acima das suas possibilidades (gastar mais do que tem) e a longo prazo caminham para a bancarrota/extinção da espécie.

É crucial que os clubes se mentalizem que estes têm de ser gerenciados como empresas, cujo objetivo principal é apresentar continuamente resultados financeiros positivos, sustentáveis e viáveis. Após, António Salvador ter tomado posse da presidência do S.C.Braga, a equipa tornou se num exemplo prático da boa gestão desportiva em Portugal e na Europa. O Braga é uma equipa sustentada que tem conciliado o rigor financeira com os resultados desportivos. Como? Com recurso a estratégias de crescimento sustentado e políticas bem definidas. O S.C.Braga é gerido como se fosse uma empresa. Rigor é uma palavra de ordem. O Braga, simplesmente adaptou-se ao meio em que estava inserido e consequentemente, tem vindo aumentar os seus níveis de resistência cada vez mais. Tendo noção da sua posição, o S.C.Braga estabeleceu como estratégia, potencializar os seus ativos (adquirindo-os a custo zero) e consequentemente vendê-los quando estes atingem um valor de mercado considerado justo, assim como, definiu tetos salariais que estão de acordo com as limitações financeiras impostas pelo rigor orçamental.

Estou farto, de ver o futebol Português ser conduzido, por líderes incompetentes, que não olham a meios para adquirir jogadores, oferecendo ordenados chorudos, mesmo estando cientes de que não possuem argumentos financeiros para tal. Na cabeça dos líderes desportivos o que importa é construir uma equipa desportivamente competitiva…

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