O que é jogar bem?

O que é jogar bem? José Mourinho antes de vencer a Liga Espanhola, batendo todos os recordes, dizia: “Alguns iluminados dizem que só existe uma forma de jogar. A minha equipa jogou o melhor futebol da história. Mas há gente que só sabe de futebol pelo que pesquisa no Google. Sabem pouco.” 121 golos marcados e o maior número de vitorias na Liga Espanhola foram alcançados por um treinador apelidado de defensivo.

Uma procura no Google com os termos “o que é jogar bem futebol” encontramos uma variedade de blogs com opiniões e artigos sobre o que é jogar bem. Cada autor com o seu ponto de vista. Não há unanimidade nas opiniões.
Mais recentemente, na final da Champions, o Chelsea foi criticado por praticar anti-futebol. Prescindir da posse de bola e defender não é futebol, segundo alguns comentadores. Também na final da Liga Europa, assistimos a um cenário parecido. O Atlético vencia por 1-0 mas não atacava tanto quanto o esperado. Os “colchoneros” defendiam bem, mas deviam gerar mais ataque para marcar mais golos.

Para qualquer treinador, jogar bem é fundamental. É a única forma de conseguir um bom número de vitorias consecutivas. Jogar bem é expressar dentro do campo a estratégia do treinador tendo em conta as condições do jogo, do adversário e do ambiente; é tirar o máximo rendimento dos jogadores sabendo as suas características e limitações que estão em constante evolução.

Sendo assim, não podemos dizer que o Chelsea jogou mal. Di Matteo sabia que se jogasse de outra forma, não ganhava (empatava) o jogo.

Toda a gente assume que o paradigma de jogar bem é interpretado á perfeição pelo Barcelona. Guardiola criou uma estratégia que tira o máximo proveito das características de Alves, Busquets, Xavi, Iniesta, Messi ou até mesmo Valdés, que nunca soube jogar bem com os pés. Soube melhorar e evoluir esse mesmo sistema, Messi que sempre foi um médio avançado centro, jogou pela primeira vez como falso avançado num jogo de máxima importância como foi o 2-6 ao Real Madrid. Guardiola soube também mudar e evoluir esse sistema: jogou sem extremos, com três centrais, com 5 médios titulares, Alves no meio campo e até soube adaptar-se ás adversidades do jogo pondo Piqué a ponta de lança contra o Inter.

O modelo do Barcelona foi alvo de copias, mas o que se esqueceram foi que ninguém conta com tantos jogadores com as mesmas características e com uma filosofia de jogo enraizada ao longo de décadas. Ninguém consegue reproduzir de forma tão perfeita aquelas tabelas interiores, os desdobramentos, as triangulações com o 3º homem e a velocidade de jogo. Todos estes conceitos juntos conseguem fazer com que o Pep Team mantenha a posse de bola, faça de forma excelente as transições defensivas já que, quando perde a bola, os jogadores adversários estão desposicionados, desgastados, com poucas linhas de passe e jogadores que ocupem o espaço livre e habitualmente encontram muitos jogadores do Barça nas zonas fundamentais de criação de vantagem. Os golos do Barcelona acontecem na seguinte sequência: sucessão de passes contra uma equipa que perdeu a bola e a tenta recuperar e passe vertical em desmarcação ou em combinação rápida.
Todas as equipas do mundo marcam desta forma, mas ninguém o faz de forma tão perfeita como a equipa de Guardiola. O Real Madrid tampouco é excepção, mas também faz uma sucessão de passes que o adiantam no terreno, passe vertical e golo.Contam também com um repertório de pressões altas e recuperação de bola no meio campo adversário para criar vantagens e duelos um contra um.

Jogar mal seria se o Real Madrid não procurasse situações de um contra um, com um jogador como Cristiano. Jogar mal seria se o Barcelona com jogadores como Xavi, Iniesta, Messi e Busquets procurasse o jogo directo com cruzamentos para a área para uma referencia que não existe ou que evitasse a zona de construção de meio campo.
Jogar bem é ter em conta as características do leque dos jogadores á disposição e formar um modelo de jogo que explore essas características ao máximo.

Anti-futebol é a violência nos estádios, são as entradas “assassinas” ou a falta de fair-play. Defender ou atacar fazem parte do jogo e como diz Guardiola: “A equipa que ganha é a que tem razão”.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s