O Trono da Velha Senhora

Voltou. A lenda está bem viva e regressou ao topo da hierarquia italiana. A velha senhora calçou a bota da península itálica e caminhou invicta para o trono que lhe tinham tirado em 2006. Assim passaram-se nove anos desde do último título legítimo, uns quantos escândalos de corrupção, uma subida de divisão histórica e um novo estádio depois, e renasce a Juventus das cinzas, florescendo com ela a apoteose da massa adepta mais populosa de Itália. 

Esta é uma história que começa em 2003. A Juventus de Zidane, Buffon, Nedved, Del Piero e Trezeguet eliminam o Real Madrid de Figo, Roberto Carlos, Hierro e Ronaldo o fenómeno, e chegam à final da Liga dos Campeões com o Milan, a qual perdem no desempate de grandes penalidades. Era a sétima final para a Juventus na mais importante prova europeia de clubes e era também a quinta que os bianconeri perdiam. Apesar da derrota, todavia, a Juventus era uma expressão de poder no futebol europeu que os mais novos adeptos do ‘beautiful game’ podem já não estar recordados. Nesse ano, aliás, vir-se-ia a sagrar campeã nacional… pela última vez.

É aqui que começa o conflito. No ano seguinte, o Milan tomava parte do troféu ao qual suceder-se-ia o bicampeonato para a equipa de Turim. Só que aquilo que foi ganho em campo foi retirado na secretaria, por alegadas manobras de bastidores. A justiça italiana não foi branda e sepultou a Juventus na segunda divisão, enterrando-a a 9 pontos de terra que a condicionavam logo à partida na corrida pela subida de divisão. Mas, com a força de um gigante, a Velha Senhora guerreou. Aos nove pontos perdidos, que correspondiam a três derrotas, a Juventus juntou-lhe mais quatro, mas os dez empates e as 28 vitórias foram suficientes para que o clube de Turim apanhasse o elevador da subida. Para a Juventus, estava consumado o regresso à superfície, isto é, à Serie A.

Apesar de ter evitado uma travessia no deserto superior a um ano, a Juventus perdeu muitos valores pelo caminho. A caravana, apesar de ter mantido alguns dos seus ídolos como Nedved, Trezeguet, Buffon e Del Piero, perdeu também alguns dos seus maiores ativos como Zlatan Ibrahimovic, Thuram, Patrick Vieira, Zambrotta ou o capitão da seleção Italiana, campeão do Mundo e Bola de Ouro, o defesa central Paolo Cannavaro. A isso junte-se a desvalorização do clube enquanto marca desportiva aos olhos do mundo e a quebra de receitas desportivas e televisivas de que foi consequência da privação em participar na Liga dos Campeões, e a inserção no segundo escalão do campeonato italiano.

Entre 2006 e 2012, só por duas vezes vimos a Juventus na Liga Milionária e com duas prestações bastante modestas. Antes disso era uma presença assídua nas fases mais adiantadas da competição e rara era a época que não víamos o papel com a inscrição ‘Juventus FC’ sair de dentro de uma das bolas do sorteio da ‘Champions’. Ainda assim, no campeonato italiano, a ‘Juve’ foi-se mantendo pelo topo da tabela, sem importunar muito as contas do título é certo, mas espreitando a oportunidade como um predador que espera pacientemente pelo melhor momento para atacar.

Com tempo foi-se reforçando a Velha Senhora. O reforço mais importante terá sido, porventura, o reforço do banco. No início da temporada que agora terminou, Antonio Conte, antiga glória do clube, assumiu as rédeas do touro e dominou a sua investida ao 28º título de forma tão determinada que nenhum dos restantes 19 forcados do campeonato conseguiu travar.

Mas para além do corpo técnico, também o plantel foi renovado, uma vez que, da equipa campeã que desceu de divisão em Maio de 2006, restam apenas três jogadores: Gianluigi Buffon, Alessandro Del Piero e Giorgio Chiellini. Renovada foi também a direcção do clube com a saída de Luciano Moggi, que viu-se envolvido nos escândalos de corrupção que levaram a sua equipa ao segundo patamar italiano e com a inserção do aposentado Pavel Nedved no conselho de administração.

Texto de Nuno Pereira

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