As mãos de ouro do Stoke

Estamos acostumados a ser maravilhados com golpes de génio saídos dos pés dos futebolistas, surpreendente é que possa existir alguma coisa diferente no mundo do futebol. É o caso de um jogador que não se destaca pelos seus pés, mas pela habilidade das suas mãos. Como se de andebol se tratasse…

Rory Delap é um todoterreno do Stoke City, lateral direito ou médio organizador, é o jogador que mais perigo cria com as mãos. Os seus lançamentos laterais são puro veneno. Esta característica competitiva nasceu quando era junior, o irlandês foi campeão de lançamento do dardo. No mundo do futebol não deixa ninguém indiferente. Luiz Felipe Scolari, ex-treinador da selecção e do Chelsea, reconhecia depois de ter sofrido na pele “que centra melhor com as mãos que com os pés, é fantástico. Nunca vi nada parecido na minha vida”. Arsene Wenger queixava-se “O futebol é um desporto jogado com os pés, o caso de Delap é uma vantagem injusta”.

Depois de ter passado sem glória pelo Southampton, Derby County e Sunderland, assinou pelo Stoke, que o entenderia e o admiraria. Desde que chegou ao Britannia Stadium, os adeptos do Stoke respiram fundo a cada lançamento lateral do “lança-misseis” como o apelidou Lee Dixon. É como de um penalty se tratasse. É compreensível. 43 golos já nasceram desta forma, os adeptos da casa já conhecem a jogada de memória. É simples e letal, lançamento lateral, um apanha-bolas dá uma toalha a Rory para secar a bola, um ritual para mimar o esférico. Delap junta todas as suas forças nos bíceps para lançar a bola para o coração da área ou mesmo para o 2º poste. É como um livre directo. Jogada de manual do Stoke.

O seu treinador, Tony Pulis soube tirar proveito desta característica e formou uma equipa que prima pelo jogo aéreo. Todos os jogadores medem mais que 1,80 e até tenta implementar esta característica nos jovens jogadores da cantera do clube. O comandante dos Potters reconhecia que o segredo está não na força, mas na colocação. “A bola tem que ser colocada de forma plana, para que os defesas não a possam cortar”.

Temido pelos adversários, os treinadores das outras equipas já tentaram um sem-fim de estratégias para anular Delap: desde mandar um suplente aquecer para a zona do lançamento para o distrair ou então dar ordens ao guarda-redes para conceder antes um canto, que um lançamento (Hull City em 2008); por um jogador á sua frente para o perturbar, como Ashley Young em 2010. Também houve casos como o West Ham ou o Burnley que puseram placas publicitárias extra para retirar espaço de balanço ao irlandês. Contudo, ás vezes “o tiro pode sair pela culatra”, no jogo com o West Ham, a placa de publicidade extra impediu Faubert de fazer bem um  lançamento e o erro acabou num golo do adversário. O golo que deu o empate, ironicamente, foi marcado através de um lançamento de Delap.

Com 35 anos e perto de pendurar as botas, Rory continuará a fazer os lançamentos do Stoke até que os seus braços o deixem. O lançador de misseis está longe de ser um futebolista talentoso, um virtuoso ou um dos melhores jogadores na sua posição. É um lateral que se destaca pela sua habilidade com as mãos. Nunca teve direito a capas nos jornais desportivos, nem jogará num grande, apesar disso Delap terá sempre um espaço na memória dos românticos do futebol.

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