O preço do favoritismo

Há quase 15 anos que Portugal se enfrenta aos seus próprios demónios. Um conjunto de excelentes jogadores, favoritos, que não conseguem um título para um país ávido e esfomeado, que mantém uma relação de amor e ódio com a sua equipa. A Leste será que tudo é diferente?

A seleção Portuguesa tem mostrado nestes últimos anos uma regularidade competitiva, que lhe permite chegar a este campeonato europeu como uma das equipas mais respeitadas da competição.

Talvez pela triste campanha na fase de qualificação e por muitas dúvidas em relação a este novo ciclo Paulo Bento, não se considere a seleção das quinas como uma das principais favoritas. Portugal, a quinta classificada no ranking FIFA, é vista pelos apostadores como a sétima equipa favorita a conquistar o troféu.

Analisando a lista de 23 jogadores existem poucas surpresas, o selecionador nacional leva ao campeonato europeu os jogadores em quem mais confia, independentemente do seu rendimento esta época.

Surpresas na lista de convocados

Custódio, Miguel Lopes e Nelson Oliveira são as grandes e agradáveis surpresas na lista de convocados. Os jogadores do Sporting de Braga tiveram uma boa prestação na liga portuguesa e encaixam-se perfeitamente nas necessidades da seleção nacional. O jovem do Benfica tem aqui uma excelente oportunidade para crescer e conquistar uma posição na seleção, tendo em vista futuras competições.

A chamada do médio Custódio reforça o setor defensivo e garante a Paulo Bento um jogador com caracteristícas impares nesta lista de convocados, bom jogo aéreo, atitude, forte fisicamente e com uma capacidade tática bem apurada. O técnico português conhece bem o jogador vimaranense dos tempos em que treinava o Sporting e considera-o uma mais valia no meio campo principalmente num estilo de jogo mais defensivo.

O defesa direito Miguel Lopes teve um excelente rendimento ao longo da fase final da época, é um jogador forte no posicionamento tático, com exibições regulares e com alguma polivalência. Assegura assim uma solução para substituir João Pereira no lado direito e até mesmo Fábio Coentrão no lado esquerdo.

Neste setor a surpresa foi exclusão de Nélson e Eliseu, o jogador do Betis, que foi chamado para a última convocatória no jogo contra a Polónia, teve uma época mais irregular e chumbou no teste de Varsóvia onde não se conseguiu impor e dar garantias a Paulo Bento. Eliseu fez a sua melhor época de sempre e foi um jogador importantíssimo para Pellegrini. Talvez fosse o jogador que mais merecesse estar entre os convocados.

Finalmente a última surpresa, Nélson Oliveira, ponta de lança com excelente margem de progressão, rápido e forte fisicamente, foi no último mundial Sub-20, um dos melhores jogadores do torneio e é considerado por muitos uma grande promessa para o futebol português. Esta época conseguiu golos importantes e exibições simpáticas que o obrigam a uma presença mais assídua na próxima temporada. É um jogador que a ser utilizado, pode dar alguma frescura na frente de ataque e impor ideias novas no último setor.

Caso Hugo Viana 

O que surpreendeu nesta convocatória, foi a explicação dada por Paulo Bento e a falta de coerência em relação à ausência de Hugo Viana. Começou por dizer que era um jogador que não se adequava ao estilo de jogo português e acabou convocando o médio do Braga após lesão de Carlos Martins.

O jogador barcelense tem qualidade para jogar na seleção e em qualquer estilo de jogo. É um jogador com excelente pé esquerdo, que consegue organizar o jogo de toda uma equipa, seja lançando em profundidade, seja em estilo de posse de bola com passes a rasgar a defesa. Bem vindo Hugo Viana!

Paulo Bento confia nos soldados de sempre

Nos restantes jogadores selecionados, não houve surpresas, tendo em conta as habituais listas de convocados do selecionador nacional.

Baliza

Rui Patrício, Beto e Eduardo. O jogador do Sporting teve uma época regular em todas as competições e será o justo titular da equipa portuguesa. Beto, campeão da Roménia pelo Cluj, será a segunda opção. O jogador de 30 anos emprestado pelo FC Porto ao clube romeno jogou 27 jogos pela sua equipa e sofreu 24 golos. Eduardo jogou pouco pelo Benfica e será certamente a terceira opção do técnico luso. O seu caminho desde o último mundial até este europeu foi recheado de turbulência e más decisões que o levaram a um regresso desesperado ao campeonato português, após uma má experiência no Génova de Itália.

Defesa

Este setor apresentará poucas surpresas em relação aos titulares, João Pereira no lado direito, Pepe e Bruno Alves como centrais e Fábio Coentrão no lado esquerdo.

Para cobrir estas posições, Ricardo Costa, M. Lopes e Rolando. O jogador do Valencia terminou bem a época e dos apenas 12 jogos presentes na liga espanhola, cumpriu e foi bastante regular. Já o jogador do FC Porto, terminou a época menos bem e poucas vezes como titular o que deixa algumas dúvidas em relação ao seu momento de forma.

Meio Campo

Custódio e Miguel Veloso serão os responsáveis pela sala de máquinas, sendo quase certa a titularidade do médio do Génova que teve uma época bastante complicada, com a sua equipa a terminar como pior defesa da Serie A e a poucos pontos da descida.

A responsabilidade na ligação defesa ataque, vai para dois jogadores bastante moralizados pelo que conseguiram este ano, Raul Meireles e João Moutinho deverão ser os titulares. No banco e preparados para entrar estarão Hugo Viana e R.Micael.

A chamada do médio madeirense justifica-se por ser talvez o jogador com mais caraterísticas de número 10. A ausência de um jogador com essas caraterísticas pode causar alguns problemas, principalmente num estilo de jogo de posse de bola. Carlos Martins era o jogador que mais se aproximava dessa posição, mas infelizmente foi obrigado a abandonar o estágio devido a uma lesão muscular.

Ataque

Nani e C.Ronaldo, nomes indiscutíveis para o onze inicial, jogarão nas alas e serão os grandes responsáveis por criar desiquilibrios e aparecer na zona de finalização. Soluções? Quaresma e Varela, que chegam a este europeu um pouco em baixo de forma. Esperemos que não se faça notar a ausência de Danny, jogador que se lesionou gravemente no joelho direito, e que tem pela frente 5 largos meses de recuperação.

Finalmente os matadores, uma posição representada por H.Postiga, H.Almeida e o jovem N.Oliveira. O vila-condense leva vantagem na titularidade, marcou 9 golos em 33 jogos, e teve uma presença assídua e um papel importante no ataque do Saragoça. Já Hugo Almeida, conseguiu marcar 13 golos em 34 jogos ao serviço do Besiktas e é sempre uma boa opção.

É verdade que não são considerados grandes matadores, mas principalmente N. Oliveira e H. Postiga sabem como ser jogadores chave e levar a seleção à final de uma grande competição.

Leia mais aqui

Texto de José Lopes

This entry was posted in Geral.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s