The fortune Cookie

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Prandelli enganou-nos a todos. De herdeiros do catenaccio, uma Itália que não encanta até equipa sem grandes perspectivas; tudo se disse da Squadra Azzura, mas Itália é sempre Itália e ainda para mais esta gosta de atacar e de trocar a bola. A Alemanha deverá ter em atençao isto ou pode pecar por ingénua como Boom Boom Jack em The Fortune Cookie. A final ainda não está servida, como muitos pensam.
A Itália preferiu dar o meio campo quando pode domina-lo, situação semelhante ao papel de advogado interpretado por Walter Matthau, que manipulava o cunhado fazendo-se de doente para cobrar uma indemnização milionária. É só funcionar que a indemnização pode ser o Euro 2012.

@futebol_e_redes_sociais: compatíveis?

Muita discussão tem havido sobre a interacção dos jogadores de futebol profissionais com os fãs através das redes sociais. Com efeito, com o advento desta era em que a comunicação pela Internet é acessível de qualquer smartphone, o mundo do futebol tem vindo a adaptar-se a esta nova realidade com alguma cautela. Assim, Facebook e Twitter têm sido os meios preferenciais para os profissionais de futebol interagirem com os que os querem “seguir”. Continuar a ler

Um dia da caça e outro do caçador

Congelar e cortar os caminhos do galgo português eram os objectivos de uma selecção espanhola que se viu afogada numa prisão de jogadores brancos. Portugal pôs em agonia a uma Espanha que nunca renunciou ao seu estilo.

A final nunca esteve tão perto, Portugal dominou o jogo a partir da superioridade psicológica e atlética. Os jogadores espanhóis não se atreviam a aventurar-se na selva defensiva portuguesa. Vicente Del Bosque respeitou demasiado Portugal, tentando sempre que o atrevimento dos portugueses não causasse muitos estragos. Esses estragos passavam pela jogada “Cristiano”: recuperação da bola, auto-estrada e bomba. Aos 92 esteve perto de consegui-lo. Continuar a ler

Arquitectura do Euro 2012

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O Euro 2012 encontra-se nas meias-finais e aguardam-se dois grandes embates. Um Portugal-Espanha e um Alemanha-Itália. Quatro grandes seleções mas só uma delas nunca ganhou nada, Portugal. Emoção haverá de certeza, dentro e fora das quatro linhas. O cenário destes jogos foi pensado ao pormenor com muitos meses e anos de antecedência.
Dois grandes estádios receberão multidões de adeptos com vontade de festejar a passagem das suas equipas à final mas só duas seleções farão a vontade aos seus adeptos.
Fundada em 1870 pelo industrial galês John Hughes, Donetsk possui uma economia baseada na mineração. Em 1960, foi distinguida pela UNESCO como a cidade industrial mais verde do Mundo entre as cidades de tamanho semelhante. Donetsk é cidade-irmã de Sheffield, a cidade do ferro na Grã-Bretanha. A cidade ficou praticamente destruída após a Segunda Guerra, sendo reconstruída ao estilo soviético.
Conhecida como a Cidade da Fénix, Varsóvia tem uma mistura de estilos arquitetónicos que reflete bem a sua história turbulenta. Ficou destruída no final da Segunda Guerra Mundial, em resultado dos bombardeamentos e conflitos que provocaram quase um milhão de mortos. Mesmo assim, o espírito de sobrevivência continua em Varsóvia e a cidade está hoje outra vez em grande desenvolvimento. A nível político, educacional, cultural e económico, é a capital da Polónia.
Varsóvia tende a superar as expectativas. Apesar de se situar a 300 quilómetros do mar, o seu símbolo é uma sereia. As origens são desconhecidas, mas a lenda diz que há muito tempo duas filhas do deus grego Triton fizeram uma viagem ao fundo dos mares e oceanos. Uma delas decidiu ficar na costa da Dinamarca e está em Copenhaga desde então. A segunda subiu o rio Vistula, passou por Gdansk, antes de parar numa praia perto da vila de Warszowa. Os pescadores admiravam a sua beleza e voz, mas um mercador ambicioso também a ouviu cantar e aprisionou a sereia.

Dombass Arena
O jogo de Portugal será realizado num belíssimo estádio Dombass Arena com capacidade para 52.518 espectadores, localiza-se no centro da cidade de Donetsk. É considerado pela UEFA um estádio de elite 5 estrelas.
Este estádio ultramoderno custou 320 milhões de euros e foi pago integralmente pelo proprietário do clube, Rinat Akhmetov. Tem a fachada iluminada e um sistema de aquecimento por infravermelhos.
O recinto foi desenhado pela mesma empresa que concebeu o Fußball Arena München, está situado no centro de Donetsk e à noite ilumina uma enorme fonte construída mesmo ao lado na qual tem uma bola de futebol de 30 toneladas e um parque envolvente.
O Estádio foi inaugurado oficialmente a 29 de Agosto de 2009 com um concerto da estrela pop Beyoncé. A primeira partida foi disputada dois meses mais tarde, quando uma grande penalidade de Jadson abriu caminho para a goleada do Shakhtar, por 4-0 frente ao FC Obolon Kyiv.
O estádio tem 54 metros de altura, do relvado até ao topo da cobertura, que está segura por quase 3.800 toneladas de aço. A área envidraçada cobre aproximadamente 24.000 m² e protege um relvado com as medidas de 105 por 68 metros.
O Shakhtar jogou durante 68 anos no Estádio Shakhtar, recinto com 31.718 lugares e que atualmente ainda recebe os jogos da equipa de reservas e do FC Metalurh Donetsk. Entre 2004 e 2009 o clube jogou provisoriamente no RSC Olympiyskiy Stadium.

O Estádio Nacional de Varsóvia
O estádio tem uma capacidade de 58.500 lugares sentados, o que faz dele o maior palco de futebol na Polónia. A sua construção iniciou-se em 2008 e foi concluída em novembro de 2011. O estádio está dotado de uma cobertura retrátil única na sua espécie, feita em PVC e que se desdobra sobre o centro do relvado. A cobertura, uma estrutura de 240x270m, desenha uma cruz em aço assente numa espiral gigante suspensa a 30 metros de altura sobre o centro do terreno
O estádio está equipado com um relvado aquecido, campo de treinos, iluminação da fachada e um parque de estacionamento subterrâneo. Funciona também como um espaço multiusos para organização não só de eventos desportivos, mas também de concertos, eventos culturais, conferências e eventos comerciais e gastronómicos. A inauguração oficial teve lugar a 19 de janeiro de 2012 mas o primeiro jogo de futebol apenas foi disputado a 29 de fevereiro do mesmo ano. Disputado entre as Seleções da Polônia e de Portugal, o encontro acabou com um empate, 0-0.
Localizado na margem Este do Vístula no distrito de Praga Poludnie, a sua fachada vermelha-e-branca lembra uma bandeira polaca ao vento e foi desenhada pela JSK Architekci.
O último estádio do Euro 2012 a ficar concluído, foi inaugurado com um grande concerto a 29 de Janeiro de 2012, um mês antes de acolher o seu primeiro jogo, quando a Polónia empatou 0-0 ante Portugal.
O Estádio Nacional foi erguido no local onde esteve o antigo Estádio Décimo Aniversário que, desde 1989, era o local de uma feira.
O antigo estádio, parcialmente construído com materiais retirados do local da Revolução de Varsóvia, existia desde 1955. Normalmente utilizado como estádio de futebol, também acolhia provas de atletismo, ciclismo e, em 1983, o Papa João Paulo II deu uma missa a 100,000 pessoas. O último jogo internacional teve lugar em Abril de 1983, quando um autogolo do futuro selecionador nacional polaco Paweł Janas ditou um empate 1-1 ante a Finlândia num compromisso da fase de apuramento para o Campeonato da Europa.

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A fúria espanhola


Portugal terá pela frente a favorita Espanha, uma equipa madura com um estilo de jogo bem conhecido, que se baseia sobretudo na posse de bola. A sua grande caracteristica a nível ofensivo, é a criação rápida de linhas de passe e constante movimentação dos seus jogadores procurando os espaços vazios. Os laterais têm um papel importante na equipa, subindo com regularidade e aparecendo nas costas da defesa aproveitando os espaços criados pelas diagonais dos seus alas.

Portugal terá que ser capaz de destruir a teia montada pelo fortissimo meio campo de “nuestros hermanos”. Com solidariedade nas dobras e sobretudo rapidez e atitude, os lusos serão obrigados a reduzir os espaços entrelinhas e cuidar as costas dos laterais.

Esta seleção portuguesa já mostrou contra a Alemanha, um elevado potencial defensivo, o que garante a Paulo Bento confiança, ou se quisermos utilizar a sua expressão favorita, tranquilidade. O problema estará a nível ofensivo, a transição defesa ataque é o grande desafio para este jogo, prevendo-se bastante trabalho para Moutinho e Meireles. Os médios portugueses, com excelentes atributos Box-to-Box (capacidade de jogar nas duas áreas de jogo), serão a chave para esta partida. Com a obrigação de recuar ajudando na destruição de linhas de passe e reduzindo ao máximo os espaços no meio campo, é-lhes igualmente pedido que conetem o jogo defensivo com o jogo ofensivo da seleção nacional.

Certo é, que Espanha tentará anular o ataque português pressionando a primeira linha, para responder a isso, Paulo Bento necessitará de um ponta-de-lança capaz de segurar o jogo e ganhar tempo para que Moutinho ou Meireles recuperem as suas posições ofensivas. Neste setor, Paulo Bento será obrigado a mexer no onze, com a ausência forçada de Postiga, só o técnico português sabe quem estará em melhores condições para entrar de ínicio.

Cristiano Ronaldo, será um problema para Espanha se a transição defesa ataque funcionar, e se Portugal for capaz de jogar no ultimo terço do campo. No último jogo oficial entre ambos, precisamente no Mundial 2010, a Espanha conseguiu anular a presença do 7 português, obrigando a seleção nacional a elaborar passes em profundidade facilmente controlados pela rápida defesa espanhola. É certo que o estilo de jogo mudou com Paulo Bento, esta equipa tem mais capacidade de posse de bola, ao contrário da equipa de Queirós, que perdia capacidade de passe com Pepe a médio defensivo. Portugal está melhor que no Mundial passado, a troca de João Pereira por Ricardo Costa, de Ricardo Carvalho por Miguel Veloso, recuando Pepe para central, de Tiago por Moutinho e Nani por Simão, dão outra frescura a esta seleção, mais velocidade e atitude na transição de bola e mais poder de transporte de jogo.

Quanto ao aspeto tático de ambas as equipas, não haverá surpresas, jogarão com o seu estilo de jogo habitual, por certo bastante maduro e personalizado. As únicas dúvidas residem no 11 inicial, precisamente no tão discutido número 9. O mais provável será que Del Bosque mantenha Fabregas, e que Paulo Bento confíe em Hugo Almeida para entrar de inicio.

Paulo Bento, conta com todo o plantel disponível, à exceção do lesionado Postiga. Os jogadores que estavam em risco de suspensão, Fábio Coentrão, Cristiano Ronaldo, Raul Meireles, João Pereira, Hélder Postiga, Miguel Veloso e Nani conseguiram “limpar” os seus amarelos, ou seja, mesmo que um destes jogadores veja o amarelo, poderá disputar a final de Kiev.

A nível de favoritismo, já aqui foi dito que Espanha leva vantagem, mas é bom dar uma vista de olhos às estatísticas. Em 7 jogos oficiais disputados entre estas duas seleções, 2 resultaram num empate, 4 em vitórias da Espanha e apenas 1 em vitória para Portuga. A vitória portuguesa foi precisamente no único campeonato europeu em que Portugal chegou à final, o de 2004, com golo de Nuno Gomes no estádio de Alvalade. 

Não fazia sentido terminar esta previsão sem antes falar no último jogo entre ambas as equipas, apesar de amigável, é um bom preságio para a seleção nacional, os 4 a 0 no estádio da luz deixam boas indicações para a seleção nacional e mostram o caminho certo para eliminar esta favorita espanha. Relativo a esse jogo, talvez a ausência de Carlos Martins seja a única grande nota, o português esteve bastante bem na conexão defesa ataque, aparecendo varias vezes na zona de finalização. Esperemos então, que especialmente Moutinho, continue com o seu elevado nível de qualidade e continue a brilhar neste europeu, fazendo esquecer o tal numero 10 que tanto falta nos faz.

Estão assim lançados os dados, Portugal poderá provar neste jogo que cresceu durante este Europeu, e que se encontra preparado para derrubar a favorita Espanha seguindo o seu imaculado caminho para mais uma final europeia.

Ir para cima deles

As casas de apostas não pagam muito por menos de 3 golos. Todos perspectivam um jogo com poucos golos, mas o Portugal x Espanha que viveremos a partir das 19.45h tem tudo para ser o jogo deste Euro 2012.

Por desfrutar das estrelas mais cintilantes do velho continente, por ser uma meia final e sobretudo por ser um dos duelos tácticos mais ricos que podemos ver.

Portugal chega a esta meia final como uma mistura desconexa de excelentes jogadores que foram encontrando o caminho ao longo da competição. Cada jogo é uma oportunidade para crescer e cada exibição foi melhor que a anterior. Por outro lado a Espanha é uma equipa de rotinas. Rematar pouco, passar muito, adormecer o adversário, congelar o tempo e vencer quase sempre. Esta Espanha precisa de um jogo transcendente para dar o murro na mesa e declarar-se favorita dentro de campo. Os homens de Paulo Bento podem complicar e muito esse feito. Continuar a ler

A posse defensiva

A grande qualidade desta Espanha não é a precisão de passe, não nos enganemos. Apesar da estética do jogo e dos títulos conquistados, a arma diferencial dos espanhóis é a defesa. Como foi possível reduzir a nada o calibre de Ribery e Benzema que acabaram com nenhum remate em 90 minutos? Espanha roubou a bola ao adversário de forma surreal e isso leva-nos á conclusão que são a melhor equipa a proteger a baliza.

Desta vez encontra-se com um futebolista único no panorama internacional. O único jogador que é uma fase de jogo em si. Cristiano é a transição ofensiva de Portugal, sem necessidade de fazer mais. Pode estar a 40 metros que o pânico instala-se e resta ao adversário rezar que ele tenha um dia mau. Não há defesa que valha, Cristiano vai correr e enfrenta-la. Para evitar isto, a Espanha dará um soporífero á bola por via de passes, procurando o tormento da alma impaciente de CR7.

Já falta pouco…