As Equipas B

A próxima temporada da liga de honra irá contar oficialmente com a presença de mais 6 equipas no seu total – 6 equipas B´s. Desde muito cedo, logo após as eleições da presidência da liga de clubes, muita foi a tinta que correu em torno dos possíveis benefícios que esta espécie de equipas “satélites” possa proporcionar ao futebol português.

Os benefícios parecem claros. Apesar das equipas B´s terem sido extintas há 10 anos, os clubes ditos “grandes” do futebol português, nunca abdicaram dos ideais e fundamentos que estão por detrás desta filosofia. Apesar destas equipas ter sido abolidas devido ao elevado encargo financeiro evocado pelos clubes face ao retorno financeiro/material produzido, é possível constar que passado 1 década os clubes tem mantido o mesmo número de atletas ligados contratualmente a instituição. A despesa nunca foi reduzida. Para além dos habituais 25 jogadores que constituem e representam um plantel profissional, durante os últimos anos, Porto, Benfica, Sporting e Braga contaram em média com a presença de mais 20-25 atletas ligados ao clube, cujo destino foi o empréstimo a outras equipas de forma a poder jogar e evoluir de modo a justificar e garantir um lugar na equipa principal. A extinção das equipas B´s foi uma ilusão ótica. Por exemplo, apesar do S.C. Braga ter abolido a sua equipa B, o clube durante os últimos anos utilizou o Ribeirão (numa fase inicial) e Vizela (mais recentemente) como equipas satélites, onde em média colocou 10-15 jogadores por época. Ou seja, a ideologia das equipas B´s nunca desapareceu. O conteúdo e a essência têm estado sempre presente na filosofia de desenvolvimento dos clubes grandes em Portugal. Os clubes tem completa noção de que normalmente o processo de maturação dos seus jovens futebolistas oriundos formação não permite que a transição para o futebol sénior seja na maior parte das ocasiões virtuosa. O diferencial físico, tático, cognitivo e emocional é demasiado elevado fase ao nível profissional. Os jovens necessitam de experienciar as exigências do jogo de

futebol num contexto sénior e consequentemente necessitam de ajustar as suas características em função da especificidade que o jogo sénior requer. Contudo, tendo em conta a dimensão de um clube grande exige – necessidade de jogar para ganhar e obter títulos – implica que a margem de manobra/erro seja circunstancialmente reduzida. Ou seja a oportunidade de proporcionar minutos aos jovens atletas torna-se uma tarefa difícil que consequentemente pode colocar em causa o desenvolvimento do atleta. Pois bem, a criação das equipas B´s pode facilitar esta problemática, pois os jovens após terminarem o seu ciclo de formação, tem a oportunidade de efetuar uma transição gradual para o futebol sénior, num contexto fisiológico e técnico/tático idêntico ao do plantel profissional, com a diferença de o grau de responsabilidade competitiva ser menor e a margem de erro ser maior. Não faz sentido os clubes continuarem a emprestar jogadores a outros clubes com filosofias e abordagens completamente opostas. O futebol português está farto de casos onde jovens promessas se perdem após

empréstimos falhados a equipas inferiores, onde estes não têm possibilidade de evoluírem/desenvolver devido a diversos fatores. Muitos treinadores na primeira liga não estão preparados para lidar com jovens talentosos com alta margem de progressão. Não estão preparados para lidar da melhor forma com os atletas e consequentemente extrair todo o potencial inerente a cada atleta. Estes jovens, requerem atenção e muita paciência. Requerem alguém que lhes possa ensinar num contexto didáticos. Daí que na minha perspetiva, seja crucial a inclusão de equipas b´s lideradas por equipas técnicas especializadas em formar/preparar atletas. Equipas técnicas que conhecem o perfil cognitivo de cada jogador na perfeição devido ao elevado número de anos que o atleta leva ao serviço do clube. Para além disso, penso que seja fulcral que as equipas B´s usem o mesmo sistema tático que o plantel principal, pois um dos fatores pelo qual muitos jovens atletas tem vindo a sentir dificuldades para regressar ao plantel principal após empréstimo, deve-se ao fato de muitos deles terem-se desenvolvido num contexto tático completamente oposto ao sistema usado pela sua equipa-mãe. Muitos destes jovens são emprestados a equipas que lutam pela manutenção, equipas que são obrigadas a jogar para sobreviver o que “automaticamente” implica que joguem para defender com blocos baixos, pouca posse de bola, tentar explorar contra ataque … etc… ingredientes c

ompletamente opostos aqueles que são verificados nos clubes grandes. Pois bem se o atleta tiver oportunidade de se desenvolver numa equipa cujo os ideais e a filosofia de jogo são exatamente os mesmo do clube-mãe, as probabilidades de alcançar o plantel principal aumentam significativamente. Penso que o Barcelona é um exemplo claro da importância das equipas B´s. O Barça B apresenta a mesma filosofia e sistema tático utilizado pela equipa principal. Os jogadores têm oportunidade de desenvolver o seu processo de maturação num contexto de especificidade idêntico/similar aquele pretendem alcançar – equipa principal. Ou seja o processo de transição será um processo agradável e positivo onde o tempo de adaptação necessário será mais rápido.

Eu estou certo de que os clubes nacionais estão preparados para reativar as equipas B´s. A mentalidade atual do futebol nacional é diferente daquela verificada há 10 anos atrás onde a palavra formação não contatava no dicionário dos lideres dos clubes. Atualmente face a crise financeira mundial que afeta o futebol internacional, mais as medidas tomadas pelo plano de fair play financeiro, os clubes veem-se obrigados a formar para vender.

É importantíssimo que os clubes olhem para este projeto como dimensão com potencial. Já chega de intrigas e problemas em volta desta situação. Todos ficam a ganhar com isto, caso contrário o Futebol Clube do Porto não teria decidido anular a última da hora o seu protocolo com o Trofense (equipa satélite que estava prevista para a próxima temporada) em detrimento da criação de uma equipa B. Como adepto e como profissional desportivo é com orgulho que vejo a reativação das equipas B´s. Para além de todas as vantagens mencionadas anteriormente é com orgulho que vejo mais postos de trabalho serem criados num país em que dia apos dia o numero de desempregados tende aumentar significativamente.

Texto de João Sacramento
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