Como chega a Dinamarca ao Euro 2012

Para quem já não se lembra do hino “Der er et yndigt land”, que traduzido para português significa “Há uma bela terra”, relembro que foi o hino que soou mais alto no Europeu de 1992. Nessa altura apenas 8 equipas disputavam a competição e com a ausência forçada da ex-Jugoslávia devido à guerra dos balcãs, a Dinamarca ocupou o seu lugar e mesmo sem a sua estrela do momento Michael Laudrup, venceu a competição. 

Neste campeonato europeu, não tem outra saída senão erguer novamente a bandeira da surpresa e deixar para trás equipas como Portugal, Alemanha ou Holanda.

A Dinamarca é uma equipa liderada já há 12 anos por Morten Olsen e que combina a qualidade técnica e fisica de jovens como Christian Eriksen, Simon Kjær, D.Agger e Bendtner com jogadores experientes como Dennis Rommedahl, Christian Poulsen ou Jacobsen. Equipa forte fisicamente, com atitude, excelente jogo aéreo, boa definição tática e que sempre nos habituou a um estilo de jogo mais refinado e simpático que o habitual escandinavo.

Na baliza confirmou-se a pior notícia, Thomas Sorensen de 36 anos, foi forçado a abandonar o estágio devido a uma lesão contraída no amigável contra o Brasil. Para o seu lugar Morten Olsen chamou o filho do mítico Peter Schmeichel, Kasper, jovem de 25 anos que joga atualmente no Leicester City.

A titularidade será disputada por Stephan Andersen de 30 anos, atual guarda-redes do Évian de França, e Anders Lindegaard guarda-redes do Manchester United. Andersen leva vantagem pelo numero de jogos realizados esta época e pela sua experiência. Lindegaard fez apenas 8 jogos pelo Man Utd e sempre na sombra do recém contratado De Gea.

No setor defensivo, Simon Kjær e Daniel Agger serão os centrais de serviço, bons no jogo aereo e fortes fisicamente, deixam um pouco a desejar na velocidade e na saída rápida a possiveis dobras aos laterais.

Para as linhas, Simon Poulsen e Lars Jacobsen são os prováveis candidatos. Jacobsen jogador do Copenhague, jogou apenas 7 jogos pela sua equipa e na sua sombra está o jogador do Benfica Daniel Wass, que emprestado aos franceses do Évian realizou 22 jogos e marcou 4 golos. No lado esquerdo, Simon Poulsen, jogador do AZ Alkmaar é o indiscutivel titular, jogou 50 jogos e marcou 4 golos, está na sua melhor forma de sempre e tem um papel importante nesta seleção.

No meio campo defensivo, William Kvist ou Silberbauer serão os responsáveis por arrumar a casa, sendo Kvist um jogador com melhor capacidade técnica e com mais qualidade para sair com a bola no pé.

No meio campo ofensivo estará indiscutivelmente Christian Eriksen, o jogador do Ajax de apenas 20 anos é um jogador recheado de talento e com um estilo de jogo muito similar ao de Michael Laudrup.

Na ala esquerda jogará Krohn-Dehli e no centro do campo apoiando Eriksen, estará Niki Zimling. No banco de suplentes, a estrela será Christian Poulsen, longe dos seus tempos em Itália, mas ainda com a capacidade de pautar um estilo de jogo mais maduro e de gestão do resultado.

No lado direito e um pouco mais avançado aparece o veterano Dennis Rommedahl, com um estilo de jogo muito vertical e direto. O jogador do Brondby tem como carateristicas principais, a sua velocidade e desmarcação nas costas dos laterais, aparecendo várias vezes em zonas perigosas e previligiadas para assistir o avançado de serviço.

Nicklas Bendtner é o matador da equipa, jogador do Arsenal emprestado ao Sunderland por decisão de Wenger, é um jogador que mistura a força escandinava com uma pitada de técnica latina permitindo-lhe jogar sozinho na frente. É um avançado que encaixa perfeitamente no estilo de jogo dinamarquês, recebe bem de costas para a baliza e distribui com qualidade para as linhas criando vários espaços para a entrada dos médios ofensivos.

Táticamente é uma equipa bastante personalizada e com um estilo de jogo bem maduro, e isso fêz-se notar na fase de qualificação.  Em 8 jogos perdeu apenas 5 pontos, 3 contra Portugal e 2 na Noruega, sofrendo apenas 6 golos em toda esta fase.

O seu habitual 4-1-4-1 desdobrado em 4-3-3 ofensivo, é conduzido pelo talentoso Eriksen e pelas subidas frequentes de S.Poulsen pelo lado esquerdo. Com um futebol de posse de bola bastante apoiado no meio campo e desmarcações nas linhas, a Dinamarca é obrigada a abrir e profundizar demasiado o jogo, o que a nível defensivo cria bastantes espaços entre-linhas causando problemas para os seus lentos centrais e para um meio campo incapaz de bloquear a transição contrária.

Portugal terá que rever o jogo de Copenhague onde foi claramente dominado, não conseguindo travar a transição defesa ataque da equipa dinamarquesa. Cuidados especiais para o talento do organizador Ericksen, para o intrometido Simon Poulsen, para a velocidade de Rommedahl e para o instinto matador de Nicklas Bendtner.

Texto de José Lopes


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