Amarrotar a camisa branca

Joachim Low irá para a cama, com uma dúvida dolorosa. Suará bastante e talvez amarrote a sua impecável camisa branca e lhe apareça um ou outro cabelo branco. Falo do avançado que será titular amanhã: Miroslav Klose ou Mario Gómez, a única posição em aberto na selecção germânica.

O futebol alemão já não é feito de engrenagens e correntes de metal, a escola de Estugarda evoluiu graças a a Klinsmann e Low ultima os detalhes de forma a que a posse de bola, o toque, a expressão técnica e o dinamismo pareçam quase musicais.O 4-2-3-1 é a referência de uma equipa que foi vice-campeã europeia e 3ª classificada no Mundial de 2010.

Durante esse tempo ninguém questionou quem deveria ser o ponta de lança da mortífera orquestra. Klose, capitão, interpretava esse papel na perfeição . No entanto, o tempo passou e Mario Gómez, atingiu a madurez aos 26 anos: em 111 jogos marcou 90 golos. É um dos melhores finalizadores do futebol europeu. Poucos conhecem melhor a geografia da área do que ele. Domina o jogo aéreo como poucos, tem uma serenidade incrível na hora de marcar e tem um incrível catalogo de formas de marcar golos: com a bola controlada, de cabeça, de média distância ou em corrida. No entanto, esses 90 golos parecem nunca ser suficientes.

Nos últimos dois anos, Mario evoluiu bastante. Deixou de ser apenas uma referência no eixo atacante e procura mais espaços e associa-se melhor com os colegas. O “Comboio sem travões” multiplicou os golos e abriu um debate que teve a sua primeira versão no Bayern de Munique.

Klose, com 34 anos, possio um físico robusto e no seu portfólio conta com o titulo de 2º máximo goleador em Mundiais com 14 golos, menos um que Ronaldo “Fenómeno”.

Poucos rematam melhor de cabeça do que ele. É um produto da escola alemã que criou jogadores como Gerd Muller, Bierhoff, Klinsmann etc. Donos da área e mestres da definição. Temos uma imagem dele do típico ponta de lança, que por vezes até nos esquecemos de outras características.

Os seus números também são impressionantes, no Werder Bremen marcou 63 golos e assistiu por 48 vezes em 3 temporadas. Estes números convenceram o Bayern e parecia que Klose estaria condenado a um lento declive na carreira. Foi então que viveu a “segunda juventude” na selecção alemã de Low.

Com o tempo projectou uma ideia de jogo que consistia na triangulação com Klose, Ozil e Muller. Estes são os 3 jogadores chave na elaboração ofensiva da Der Mannschaft. As suas movimentações, trocas de bola e associações são o fio condutor do jogo alemão. Gradualmente, Low foi afastando Klose da área até torna-lo num “falso 9”. Ocupa muitas vezes os mesmos espaços que Ozil enquanto Muller traça as diagonais.

Klose é mais criativo agora, embora não tenha perdido o faro de golo. O debate está relançado, para Low, Klose é uma peça chave no seu estilo de jogo, mas Gomez tem vários argumentos a seu favor, mas no esquema de Low só há espaço para um.

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