O Baile e os sapatos

Não marcamos. Das dezasseis selecções que disputam este Euro 2012 fomos os únicos que não conseguimos. Para agravar mais a situação, não é um caso isolado: no último Mundial não sentimos o sabor do golo em 3 dos 4 jogos disputados. A falta de golo faz capas de jornais, alimenta conversas de bar e preocupa a equipa de Paulo Bento. No melhor dos casos, temos pela frente mais 5 finais e enfrenta-las sem golo não é factível. A Dinamarca é a primeira que temos de enfrentar, teoricamente a selecção menos temível do grupo, que fez com que a palavra “morte” fosse parca para denominar o Grupo B. Ao contrário de 1992, a Dinamarca recebeu o convite para o baile a tempo. Não é a mais bonita, nem tem o vestido mais caro. Leva sapatilhas em vez de tacões, mas enquanto os outros caem com o medo, ela dança despreocupada.

Na primeira meia hora contra a Holanda, a equipa de Morten Olsen foi totalmente superada, culpa da deficiente saída com a bola controlada. Se adiantamos as linhas e pressionarmos altos, teremos a recompensa. Sem contar com a qualidade técnica dos nossos jogadores que podem criar alguma superioridade entre Zimling e os centrais. Esses erros foram evidentes, mas a Holanda não os soube aproveitar, pelas características dos seus médios.

Com Pepe, Bruno Alves, Pereira e Coentrão, Portugal está capacitado para jogar com a defesa alta, forçar o erro dinamarquês e dominar o meio campo rival. Não é só a questão de estar mais perto da baliza – um alivio para o nosso trauma – mas é a de impedir que a Dinamarca jogue como gosta: em ataque posicional. A forma de ocupar os espaços de Krohn Dheli e a verticalidade de Rommedahl são chaves para canalizar jogo para o talento de Eriksen, desaparecido na primeira jornada.

Bendtner e Postiga enfrentam o mesmo problema: a falta de golo. Contudo abrirão espaços para os seus colegas de ataque. Por um lado as diagonais de Agger e Kjaer e por outro a verticalidade dos laterais portugueses e associação com Nani e Ronaldo. Paulo Bento terá de dotar o meio campo de mais fluidez se quer que Cristiano Ronaldo apareça. Caso contrário voltará a ser excessivamente e injustamente acusado de ser responsável.

O primeiro jogo de Paulo Bento como seleccionador foi contra a Dinamarca e será o jogo que prevalecerá na memória. Ganhamos 3-1 com dois golos de Nani e um de Cristiano. Foi perfeito e oxalá se repita hoje. Mas no baile do Euro não há tempo para memórias doces. Aqui compete-se de forma rude, fria e áspera. Uma vitória lusa não garante nada e o relógio jogará a favor da Dinamarca, que mesmo que ninguém a considere a mais bonita do sala, vai continuar a dançar.

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