Quem disse que era fácil?

Quem disse que era fácil? Os caminhos até ás finais de competições destas são tortuosos, cheios de espinhas e de sofrimento. Quem ganhou um Euro ou Mundial sem sofrimento que atire a primeira pedra! São competições para encarar com seriedade desde o primeiro minuto.

Portugal entrou com o mesmo onze que tinha perdido contra a Alemanha. Com pequenas melhorias no sistema de jogo, impulsionados por uma defesa mais adiantada para pressionar a posicional Dinamarca. No entanto, os problemas da equipa lusa continuam bem patentes e por corrigir.

A lesão de Zimling aos quinze minutos condicionou o meio campo defensivo dinamarquês, que perdeu a referência no seu homem mais consistente. Kvist ficou com as tarefas defensivas de cobrir espaços e fazer marcações, dado que Poulsen e Erikson (que continua por mostrar-se neste europeu) não tem esse perfil.

O meio campo português deixou todas as questões possíveis, entre as quais a missão de Meireles, Moutinho e Veloso. Se por um lado Meireles joga a interior direito, ajudando nas transições para Nani e João Pereira; Moutinho a interior esquerdo foi bastante decepcionante. Poderia interpretar o papel de transitor ofensivo, com rotações e conduções de bola. Culpa dele ou de Paulo Bento é a questão. O fraco rendimento de Moutinho e Meireles condiciona muito as aspirações portuguesas neste Euro. Um curioso detalhe: a marcação dos cantos era efectuada por estes dois jogadores, quando um marcava o outro fechava o corredor. Ou seja demasiada preocupação nas transições defensivas quando Portugal perdia a bola.

As duas selecções procuravam nas suas estrelas um lance de génio que pudesse resolver o jogo. Portugal com Cristiano e a Dinamarca com Bendtner. Portugal acaba por se adiantar num magnífico cabeceamento de Pepe ao primeiro poste, depois de um canto e uma excelente execução de Postiga adiantando-se a Kjaer depois de um centro de Nani.

A resposta dinamarquesa consistiu em cruzamentos para a área procurando o gigante Bendtner. Portugal acaba por consentir dois golos parecidos ao que tinha sofrido contra a Alemanha. Cruzamento a partir das alas e cabeçadas de Bendtner. O segundo golo volta a demonstrar que uma falha de marcação de Pepe (melhor central deste Euro a par de Hummels) pode ser letal.

Antes do golo do empate, Portugal mostrou-se confuso. Quando saía com a bola controlada de trás, mostrava-se lento e quando a roubava no meio campo corria sem sentido procurando Nani ou Ronaldo. Nani tentava sempre desenvencilhar-se de Simon Poulsen e ir á linha procurar uma referência. A entrada de Nelson Oliveira veio dar mais calma á equipa, embora o jogador do Benfica seja algo pesado e lento de movimentos, nota positiva pelo que veio dar á equipa.

Cristiano esteve longe de ser brilhante. Procurava quase sempre acções individuais, algo natural em quem quer ganhar alguma coisa com a selecção portuguesa. No entanto é mais que evidente que Cristiano vive angustiado neste Euro, e quando as coisas não lhe saem bem, essa angústia aumenta. Portugal pede-lhe que ele resolva tudo a cada recepção de bola, coisa ao alcance de predestinados, mas não de predestinados sob uma pressão imensa. As acções ofensivas perdidas acabavam por expor o meio campo defensivo português. As acções defensivas foram inexistentes. Resta saber se tinha ordens expressas para não baixar e para procurar jogadas individuais. Cristiano precisa de marcar para aliviar a pressão.

Portugal neste momento não deslumbra, mas pode ir aumentando de rendimento á medida que a competição avança. Os argumentos são convincentes: excelente dupla de centrais, laterais consistentes (João Pereira precisa de melhorar os níveis de concentração), um Nani com cruzamentos mortíferos e um Cristiano que precisa de recuperar psicológicamente. Será suficiente para chegar a Kiev?

 

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