O dinamo checo

Olhando friamente para os nomes que compõe esta equipa e os jogos da fase de grupos deste Euro, é impossível não fazermos uma comparação com a equipa checa de 2004. Essa talvez tenha sido a melhor geração de jogadores de sempre e tal como Portugal foram derrotados num canto grego. Dessa equipa apenas restam Cech, Rosicky e Milan Baros, mas o futebol checo revitalizou-se com a entrada em cena do Viktoria Plzen que trouxe jogadores muito interessantes como por exemplo Pilar.

Bilek, o seleccionador, costuma apostar por um 4-2-3-1 que se vai transformando num 4-1-4-1. O ataque posicional e a coesão do bloco do meio campo para facilitar os apoios e sofrer menos em tarefas defensivas são os factores chave desta equipa.

Na baliza, o indiscutível Petr Cech. Foi um dos melhores guarda redes da presente temporada. Toda a gente o conhece: dominador da pequena área, elástico entre os postes, bom jogo de pés para activar os contra-ataques e uma envergadura que mete medo a muitos avançados são os seus pontos fortes. No entanto tem dificuldades em sair a alguns cruzamentos de média distância.

Uma defesa de quatro com claro protagonismo para Kadlec. O lateral esquerdo do Bayern é um dos eixos desta equipa – habitual marcador de penaltis e o goleador na fase de qualificação – é por ele que se iniciação as transições ofensivas graças á potência, bom primeiro toque e colocação, mas sobretudo pela deficiente saída com bola da dupla de centrais. Habitualmente jogam Hubnik e Sivok: centrais corpulentos e muito perigosos a bola parada. Defendem muito atrás, perto de Cech, dado que não são velozes, nem talentosos no um-contra-um. Um avançado móvel como Postiga ou Oliveira, que baixam para receber jogo podem criar-lhes bastantes problemas. Contudo neste euro, Bilek, tem apostado por Kadlec e Sivok a centrais. No lado direito, Selassie, é o titular. É melhor ofensivamente que defensivamente, traz frescura e não é tão rígido posicionalmente como era Pospech. Do lado esquerdo Limbersky, o lateral do Viktoria, é bastante ofensivo e pode actuar como condutor de jogo.

O meio campo é a zona chave dos checos. Hubschman é o “termómetro” da equipa que equilibra as transições. Inteligente na leitura de jogo, bom dominio posicional, recuperação, fortaleza física e bastante bom no primeiro apoio é o encarregado de dar simetria a atacar e facilitar a transição defensiva. Ao seu lado joga Plasil, joga bem com os dois pés e é o pulmão da equipa. Destaca-se pela sua polivalência e tanto pode jogar como médio interior esquerdo procurando diagonais e tentar o golo com o seu potente remate; ou como médio centro (onde joga mais frequentemente) dando destaque a Pilar. Este jovem extremo é uma das revelações do Euro, brilha em espaços reduzidos, procura a linha, protege bem e conduz os movimentos ofensivos da equipa. Tem jogado pela ala esquerda.

Jiraceck, do lado direito, sente-se mais confiante com Hubschman em campo. Tal como Pilar jogará no Wolfsburgo na próxima temporada. Traz visão de jogo, controlo, triangulações, batalha muito e é um apoio para que Selassie suba.

Neste 4-2-3-1, Rosicky assume o protagonismo. O irregular 10 gunner reinventa-se sempre que veste a camisola do seu país. Um grande médio avançado centro, cuja criatividade por vezes se dilui na sua instabilidade física. Móvel entre linhas, muito técnico e é um especialista em bolas paradas. Será dúvida para o jogo dos quartos.

Na frente Baros e Pekhart lutam pelo posto de ponta de lança. O segundo encaixa melhor na proposta de ataque posicional de Bilek pelo seu físico na hora de arrastar os centrais e activar a segunda linha para que apareçam Pilar, Rosicky e Jiraceck. Com Baros criam-se mais movimentos de ruptura, graças a velocidade contra defesas lentas. Tem estado bastante apagado neste Euro.

Resumindo, a selecção checa destaca-se pela sua riqueza do meio campo em ataque posicional. Tem bons executores de livres e bolas paradas em geral e chegar aos quartos já ultrapassou as expectativas que os adeptos checos tinham depois do primeiro jogo contra a Rússia. Contudo tem bastantes debilidades defensivas sobretudo nos centrais e quando ultrapassada a linha de pressão composta pelo duplo-pivot. Portugal parte com o favoritismo.

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