Não querer marcar

A vida do ponta de lança é ingrata, só os golos contam. Se aparecem são elevados ao Olimpo do futebol, se tardam em aparecer são julgados sem piedade na praça pública. Hélder Postiga é um desses casos. Mal amado pelos adeptos que lhe exigem o golo e ignoram o trabalho que faz no relvado. Foi o único dos três aríetes que deu o corpo ás balas nos dois últimos jogos do Euro. Contra a Dinamarca, demorou 35 minutos em declarar-se inocente e “fazer as pazes” com os portugueses. Vê-lo caminhar até ao banco, com ainda meia hora por jogar, confirmou-se que ele era consciente dos problemas de uma selecção, que adquirem uma importância ainda maior, quando se lhe exige registos goleadores que teimam em não aparecer.
Contra uma inquietude excessiva do jogo português, apareceu alguém ágil que trouxe alguma tranquilidade ao esquema de Paulo Bento. Mal pisou a relva, Nélson Oliveira desprendeu-se da etiqueta de ponta-de-lança, para conceder a calma e paciência que o resto da equipa pedia. Arrastou os centrais da zona cómoda e cedeu o espaço ás diagonais de Nani e Cristiano. Não estava na área. Decidiu ser protagonista apenas para aqueles dispostos a observa-lo: o seu maior exito foi não querer marcar.
Contudo e até falta de provas contundentes, Paulo Bento optará pela experiência. Postiga parte com vantagem, mas Nélson começa a traçar o caminho para o Brasil 2014.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s