A marca dos onze metros

No Domingo decidiu-se mais um jogo através das grandes penalidades e mais uma vez a Inglaterra foi eliminada na marca dos onze metros. Á margem de questões de estilos e avaliações tácticas das equipas, muitos consideram a marcação de penaltis uma “lotaria”. No entanto, um estudo de Nick Harris – considerado o melhor jornalista desportivo pela Sports Journalism Association – indaga para além da sorte neste tipo de lançamentos.
As conclusões são:

  • Entre 1976 e 2010 decidiram-se 35 jogos nos penaltis em fases finais de Euros e Mundiais. Efectuaram-se 343 tentativas, das quais se marcaram 258 golos (75.22% de efectividade).
  • O autor do estudo nao encontra grandes variações de eficácia entre os marcadores destros (75.72%) e canhotos (73.13%). Contudo, encontra uma baixa da eficácia dos esquerdinos na última década e meia. Nas 19 marcações entre 1976 e 1998, 21% remataram com o pé esquerdo, dos quais 83% resultaram em golo. Por outro lado, nas 16 marcações realizadas desde 1998 só 17.6% dos jogadores optou pelo pé esquerdo, e a taxa de sucesso baixou para os 58%.
  • Posicionalmente, os jogadores mais adiantados oferecem mais garantias: 85 de cada 100 remates realizados por avançados acabam em golo. Defesas (70.79%) e médios (70.67%) compartem níveis de eficácia semelhantes.
  • Preferencia pela juventude ou experiência: os jogadores mais novos (de 18-24 anos, 79%) os mais veteranos (mais de 31 anos, 82%) acertam mais do que aqueles no ponto mais alto da carreira (25-30 anos, 71.5%).
  • A pressão também se nota: de uma taxa de 80% de tiros certeiros nas primeiras tentativas, reduz-se para um 63% na quarta tentativa.
  • Por países: o mais eficaz é a antiga Checoslováquia que marcou todas as tentativas (20). Portugal fica em 2º lugar com 9 de 12 tiros certeiros.

No gráfico abaixo pode-se ver quais os quadrantes mais eficazes da baliza. O mais eficaz parece ser o angulo superior direito com 91%, enquanto os remates elevados ao centro parecem ser os mais fáceis de defender (54%). Os canhotos dominam os 4 angulos e os destros preferem remates colocados ao centro.

O retrato-robot do lançador seria este:

  • Destro
  • Jovem ou veterano
  • Avançado
  • Primeira tentativa
  • Checo, português, alemão ou qualquer nacionalidade excepto inglesa.
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One comment on “A marca dos onze metros

  1. […] Chegavam os penaltis e não em forma de lotaria. Aqui Paulo Bento errou. A forma como preparou a lista de marcadores não foi a mais correcta. Casillas tentou condicionar os jogadores portugueses desde o lançamento da moeda ao ar e defende o primeiro remate da marca de 11 metros de Moutinho (que nunca foi um bom marcador). Xabi Alonso, talvez demasiado confiante, também falha. Pepe e Iniesta fazem o seu trabalho. A marcação do terceiro penalti português denuncia o erro do seleccionador: Bruno Alves nervosíssimo, antecipa-se para marcar quando era a vez de Nani. Um jogador neste estado psicológico nunca pode marcar numa semi-final de um Euro, Paulo Bento e Bruno Alves deveriam ter percebido isso. […]

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