Um dia da caça e outro do caçador

Congelar e cortar os caminhos do galgo português eram os objectivos de uma selecção espanhola que se viu afogada numa prisão de jogadores brancos. Portugal pôs em agonia a uma Espanha que nunca renunciou ao seu estilo.

A final nunca esteve tão perto, Portugal dominou o jogo a partir da superioridade psicológica e atlética. Os jogadores espanhóis não se atreviam a aventurar-se na selva defensiva portuguesa. Vicente Del Bosque respeitou demasiado Portugal, tentando sempre que o atrevimento dos portugueses não causasse muitos estragos. Esses estragos passavam pela jogada “Cristiano”: recuperação da bola, auto-estrada e bomba. Aos 92 esteve perto de consegui-lo.

Para cortar essa auto-estrada, Silva na ajuda a Arbeloa fez um magnifico trabalho defensivo. Os defesas espanhóis passaram por mais apuros que nos últimos quatro jogos juntos. Tiveram que correr, intervir e recuperar; assim como o duplo pivot e Silva. Casillas não teve muito trabalho.

Moutinho, Meireles e Veloso fizeram um jogo fantástico. Enquanto houve pulmão causaram bastantes incómodos ao sector defensivo da Roja. Fizeram desaparecer Xavi que recuou para a frente dos centrais, carente de forma física e da posse de bola. O maestro do Tiki-Taka foi desactivado e consequentemente o estilo também.

Portugal desactivava a posse de bola espanhola com uma pressão asfixiante, mas no entanto afogava-se na transição defensiva espanhola. Um Hugo Almeida desastrado no ataque não ajudava no apoio a Cristiano e Nani, como fazia Postiga. No entanto, ajudou bastante na defesa, com alguns cortes primordiais. Os extremos portugueses iam criando bastante perigo pelas laterais, mas encontravam-se quase sempre com um Ramos imperial. Os 90 minutos iam-se aproximando e tudo indicava que não haveria golos, como previmos antes do jogo. 

Del Bosque tenta reagir com a entrada do tridente de luxo que lhe deram o Mundial. Faz entrar Navas, Pedro e Fabregas para se juntarem a Iniesta. O que tinha sido um calvário espanhol durante o tempo regulamentar, torna-se num parque de diversões espanhol durante a meia hora posterior. A entrada de Custódio por um Miguel Veloso fatigado veio dar um pouco de pulmão ao meio campo, mas o jogo fazia-se pelas alas. Principalmente pela de João Pereira, com Pedro a revolucionar o jogo. Iniesta ainda teve uma oportunidade para voltar a fazer história, mas acabou com uma grande defesa de Rui Patrício.

O seleccionador espanhol apostou por ampliar o jogo pelas alas. Pedro e Navas “esticavam o campo”, enquanto Iniesta e Cesc apareciam pelo meio. Varela e Nani não entenderam este conceito e os laterais portugueses passaram uns longos 10 minutos.

Chegavam os penaltis e não em forma de lotaria. Aqui Paulo Bento errou. A forma como preparou a lista de marcadores não foi a mais correcta. Casillas tentou condicionar os jogadores portugueses desde o lançamento da moeda ao ar e defende o primeiro remate da marca de 11 metros de Moutinho (que nunca foi um bom marcador). Xabi Alonso, talvez demasiado confiante, também falha. Pepe e Iniesta fazem o seu trabalho. A marcação do terceiro penalti português denuncia o erro do seleccionador: Bruno Alves nervosíssimo, antecipa-se para marcar quando era a vez de Nani. Um jogador neste estado psicológico nunca pode marcar numa semi-final de um Euro, Paulo Bento e Bruno Alves deveriam ter percebido isso.

Bruno Alves acaba por falhar, com um pouco de azar á mistura, acerta na trave e bola sai. Ramos imita Pirlo e faz uma Panenka a Rui Patrício. Por fim Cesc sentencia o jogo, com mais sorte que Bruno Alves. Também não consigo perceber porque é que Cristiano, figura e capitão de equipa é o último a marcar. Talvez quisesse ser decisivo, mas só vem provar que a lista dos marcadores não foi a mais acertada.

Portugal chega ás meias finais, podendo queixar-se de si próprio e da sorte. No entanto, foi a equipa que mais cresceu desde o primeiro dia e foi deixando boas sensações. Fez um Euro além das expectativas de muitos e o mais importante é que se ganhou uma equipa para conquistar o Brasil 2014. Para isso temos dois anos para apostar na formação de talentos para as posições chave: médios defensivos e pontas de lança.

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