Apagão russo

Poucas ideias, pouco pulmão e nenhum ponto. O Benfica caiu, ontem à tarde, diante do Spartak de Moscovo, complicando seriamente as hipóteses de apuramento. Vitórias na Luz, frente aos russos e ao Celtic, são obrigatórias, mas o destino fica nas mãos dos adversários.

O golo madrugador de Rafael Carioca não augurava nada de bom. O cronómetro marcava tão-somente três minutos e já o brasileiro festejava, na linha de fundo, o primeiro dos tentos que haveriam de afundar o Benfica na tabela do grupo G e deixar os homens de Jesus com um único ponto em nove possíveis.

O caso era ainda mais preocupante porque não se tratava da primeira ocasião de golo para o Spartak. Antes do primeiro minuto, já Artur tivera de se aplicar a fundo para travar um cabeceamento fulminante de Bilyaletdinov. O Benfica dava a entender que não estava em “dia sim” e que, apesar de o valor dos russos estar num patamar inferior ao do seu, a tarde dificilmente lhe iria correr de feição.

O 1-0 limitou-se a pôr a nu as fragilidades da equipa portuguesa. Com um sector defensivo excessivamente macio e um meio-campo incapaz de ‘pegar’ no jogo, os encarnados (ontem equipados de negro) pouco mais faziam para além de ver jogar. E, quando a bola era recuperada, ninguém se mostrava esclarecido o suficiente para começar a desenhar um lance de ataque com princípio, meio e fim.

É certo que o relvado artifical – espécie rara no nosso país, que não sofre as mesmas agruras térmicas do leste europeu – pouco ou nada terá ajudado o Benfica a exibir-se ao seu melhor nível. Acontece, porém, que essa justificação é perfeitamente oca numa Liga dos Campeões. Há exactamente três semanas, o Celtic apresentou-se no mesmo Estádio Luzhniki para defrontar o Spartak e não foi de modas: bateu os russos por 3-2 e mostrou que o artificial não tem de ser impedimento para o sucesso de quem a ele não está habituado.

A real explicação para tão pálida jornada europeia dos encarnados passará, isso sim, pela estrutura da própria equipa e pela sucessão de falhas apresentadas pela defesa e meio-campo. Se os casos mais periclitantes do quarteto recuado da Luz – Melgarejo e Jardel – até vinham estando em maré de relativa estabilidade e solidez, ontem demonstraram o porquê, por um lado, de Luisão ser peça fulcral na equipa e, por outro, de não estarmos na presença de um verdadeiro lateral esquerdo.

Melgarejo viu a sua área de influência ligada a diversos lances de perigo do Spartak, um dos quais o do golo decisivo, ao minuto 43. O paraguaio foi apanhado adiantado e descaído para o centro e a bola surgiu nas suas costas, onde foi Bruno César (!) quem ainda tentou acorrer à dobra. Jardel, que esteve longe de se exibir a um nível satisfatório, abordou o lance de forma mais infeliz do que desastrada, é certo, mas acabou mesmo por enviar a bola para o fundo das redes de Artur. O guardião brasileiro, apanhado em contrapé, já não conseguiu evitar o pior.

Por essa altura, o jogo até já estava empatado, fruto de excelente cruzamento de Salvio na direita, a que Lima correspondeu de forma magistral. O avançado antecipou-se a todo o bloco defensivo moscovita e cabeceou, ao primeiro poste, para uma baliza semi-deserta, já que Rebrov se adiantara, na tentativa de segurar a bola. Só que, à semelhança de vários outros momentos das últimas aventuras europeias do clube da Luz, a equipa foi incapaz de fazer prevalecer o seu jogo depois de marcar um golo e a igualdade acabou por não durar mais do que uma dezena de minutos.

 

No segundo tempo, o Benfica entrou mais pressionante mas, aos 55 minutos, foi mesmo Ari quem ficou a centímetros do 3-1, com um toque de calcanhar. Apareceu Artur, uma vez mais, a manter o resultado inalterado.

O Spartak voltou a assenhorar-se do jogo, a partir desse instante, e a equipa portuguesa aparecia apenas a espaços, tentando chegar novamente ao empate através de rápidos contra-ataques. Percebia-se, porém, que algo continuava a não funcionar na engrenagem arquitectada por Jesus, que lançou Gaitán e Cardozo para os lugares de Bruno César e Rodrigo. O ataque encarnado ganhou alma e velocidade, fruto destas mexidas: Gaitán apareceu por diversas vezes a causar desequilíbrios (até então inexistentes) na ala esquerda e Cardozo surgiu como uma peça mais fixa, forçando o Spartak a manter mais homens na rectaguarda.

Aos 68 minutos, Salvio teve tudo para voltar a nivelar as contas, quando uma oferta da defesa russa o deixou sozinho na cara de Rebrov. O argentino acabou, contudo, por atirar ao lado do poste mais distante e desperdiçar a melhor ocasião de golo do Benfica em toda a segunda parte. Lima dispôs ainda de nova oportunidade, entrando em velocidade na área russa, aos 74 minutos, mas acabando por permitir o corte de Pareja, quando parecia ter tudo para visar as redes de Rebrov.

Até ao final, o Benfica foi efectivamente o conjunto mais trabalhador, tentando contrariar o ritmo mais lento que o técnico Unai Emery procurava transmitir ao jogo, mas a pressão acabaria por ser inconsequente. A derrota por 2-1 atirou a turma da Luz para o último lugar do grupo G, com 1 ponto. O Barcelona, que ontem bateu o Celtic por resultado idêntico, soma já 9 pontos, seguindo-se Celtic com 4 e Spartak com 3. Na próxima jornada, o Benfica recebe a formação de Moscovo e está obrigado a vencer para manter vivas as aspirações a um lugar na fase seguinte. Luisão, ainda a cumprir castigo, e Matic, devido ao cartão amarelo visto ontem, são já baixas confirmadas para o embate de 7 de Novembro.

 

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