Tito vs Pep

Mesmas equipas, dinâmicas diferentes. O Barcelona de Guardiola e o Barcelona de Vilanova distam apenas um ano de diferença, mas são visíveis algumas mudanças na estrutura actual equipa culé. Em ambos os casos falamos de uma das melhores equipas do Mundo nos seus espaços temporais.

Josep e Tito partilham os mesmos princípios e filosofia de jogo que advém do mestre, Johan Cruyff, isto é, o Barcelona no legado de Guardiola e Vilanova repartem a mesma identidade mas existem diferenças que devem ser enumeradas e explicadas. Comecemos então pelas semelhanças. 

O Barcelona de hoje bebe e muito da poção mágica deixada por Guardiola. A equipa procura constantemente a posse de bola e para tal junta os seus blocos, exercendo uma pressão muito forte e numa zona ofensiva, não possibilitando ao seu adversário ter tempo e espaço para pensar e executar. Estes princípios caracterizam o comportamento defensivo da equipa catalã. No que toca aos processos ofensivos, o Barcelona é a equipa que melhor gere os seus tempos e espaços.

Xavi e Iniesta estão para o Barcelona como os ponteiros estão para um relógio suíço. Os dois duendes espanhóis são o cérebro da equipa, a gestão da intensidade de jogo é feita por eles e nesse caso tornam-se imprescindíveis nas pretensões do Barcelona. Esta capacidade de saber ler o jogo e a ocupação dos devidos espaços aliado ao futebol apoiado com passes curtos e desmarcações rápidas faz com que o Barcelona tenha dinâmicas muito interessantes que serão abordadas mais à frente. Resume-se tudo à bola. Posse e qualidade da mesma.

A bola é a essência de um perfume chamado Barcelona e não tendo bola o Barcelona sofre um processo de metamorfose e torna-se num grupo de baixinhos enfurecidos à procura da bola, pressionando o adversário na sua zona de conforto, isto é, na sua primeira fase de construção. Isto são os princípios que o Barcelona herda da famosa escola holandesa e que são bem visíveis no Barcelona de Guardiola e de Vilanova.

Falemos então agora das diferenças tácticas entre as duas equipas, que se prendem sobretudo com questões dinâmicas. Estas mesmas dinâmicas podem ser observadas nas figuras a baixo.

  • Tito aposta num jogo mais vertical e dá mais largura do que Guardiola, tornando o Barcelona mais objectivo e mais forte nas transições. Enquanto que Guardiola centraliza muito o jogo. Tito não tem problemas em jogar à defesa se tiver que ser e tirar a bola sem ser a sair a jogar a partir da defesa, como fez questão de referir na antevisão do jogo frente ao Benfica;
  • Antes o Barcelona apresentava-se com um flanco esquerdo sem qualquer projeção ofensiva com Abidal a fazer de 3º central para compensar as subidas constantes de Daniel Alves. Actualmente, o Barcelona conta com Jordi Alba que permite acrescentar mais uma unidade ofensiva e trazer largura ao jogo, possibilitando ainda acrescentar uma pontada de imprevisibilidade pois existem dois laterais bastante ofensivos que marcam a diferença;
  • Messi apresenta um papel diferente. Na era de Guardiola, Messi era um falso-nove que partia de trás para a frente, neste momento Messi joga entre os centrais e vem buscar o jogo mais atrás para definir melhor as jogadas, em ambos os casos Messi consegue abrir espaços para outros elementos da sua equipa finalizarem;
  • Tito assume os riscos e quando se encontra em desvantagem opta por adicionar uma unidade ofensiva, neste caso costuma ser Villa ou Tello. Guardiola, quando se encontrava em desvantagem preenchia o meio-campo para controlar mais o jogo e criar mais oportunidades;
  • Busquets assume um papel mais protagonista na narrativa de Tito. Com Guardiola, Sergio Busquets limitava-se a ser um recuperador de bola e a funcionar como 3º central. Vilanova, incutiu maiores responsabilidades ofensivas ao médio espanhol e hoje em dia já é possível ver o trinco a procurar zonas mais ofensivas e a construir jogo.
  • Fàbregas volta à sua posição de origem. Se com Guardiola vimos o ex-gunner a jogar como falso nove, com Tito veremos Cesc como opção para o meio-campo. Fàbregas é visto como uma solução para o lado de Xavi que em conjunto com Messi e Busquets conseguem transformar o triângulo do meio-campo num quadrado, com Xavi a juntar-se a Busquets e Fàbregas e Messi a assumirem mais à frente. A única semelhança, é que Cesc é visto como o 12º jogador do plantel, juntamente com Villa.

Estas são algumas das diferenças que podemos observar entre o Barcelona de Guardiola e Tito. Existem ainda algumas discrepâncias no que toca ao carácter destes dois homens. Guardiola mostrou ser um líder dentro e fora de campo, um comunicador nato, uma pessoa mediática e um motivador fora de série. Tito é um indivíduo mais contido, sereno e calmo, o que faz com que tenha mais discernimento na altura de ler o jogo. Guardiola era uma pessoa mais quente e intensa, o mesmo não acontece com Tito. A única coisa que faz explodir Tito e que não fazia explodir Guardiola são as arbitragens.

Não devemos levantar a questão sobre qual das equipas é que é melhor ou pior, porque em ambos os casos estamos na presença das melhores equipas do Mundo nas suas datas. Guardiola e Tito, cada um à sua maneira colocaram o Barcelona num patamar inigualável. As pessoas vão passando, as dinâmicas mudando e o Barcelona vai vencendo.

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