Garay deu o exemplo

Obrigado a vencer, o Benfica cumpriu com o que se lhe exigia e amealhou os três pontos diante do Celtic, de forma competente, numa noite em que Lima e Cardozo até ficaram em branco. Os encarnados dominaram o encontro e a turma escocesa não chegou a ter uma mão-cheia de ocasiões para pôr em prerigo a baliza de Artur. Ainda assim, a incerteza manteve-se até final e chegou-se a temer que o Celtic alcançasse o empate nos minutos finais – o que, de resto, não faria justiça ao futebol praticado pelas duas equipas.

Quando vencer é uma obrigação, quer pelo peso da camisola, quer pela luta pontual por um lugar na fase seguinte da Liga dos Campeões, entrar em vantagem é como o código postal: meio caminho andado para chegar ao destino. Foi praticamente isso que aconteceu ontem, na Luz. O Benfica entrou mais forte, a pressionar o Celtic junto à grande-área, e marcou ainda antes de se cumprir o minuto 7, por intermédio de Ola John, que aproveitou uma bola solta na área escocesa para abrir a contagem e estrear-se a marcar de águia ao peito.

Vindos de uma surpreendente vitória sobre um fortíssimo Barcelona, os “católicos” de Glasgow chegaram a Lisboa apostados em carimbar de imediato a passagem aos ‘oitavos’ da competição. O técnico Neil Lennon até deu o favoritismo à equipa portuguesa, dizendo que este jogo seria mais complicado do que o anterior, diante dos catalães – algo que, excluindo o factor casa, soou a falsa modéstia de um treinador que já teria um olho posto no apuramento. Esperava-se, pois, uma partida de elevado grau de dificuldade, mais ainda porque a campanha benfiquista na Europa, este ano, está longe de ser brilhante. A realidade, porém, foi algo distinta e se tudo isto causava uma pressão acrescida nos homens de Jorge Jesus, todos eles se mostraram superiores a qualquer inquietação e deixaram em campo a clara imagem de uma equipa dominadora, veloz nas incursões ofensivas e segura nas acções em terrenos mais recuados.

Porém, no futebol, como em tantas outras coisas, não costuma haver bela sem senão. Num dos poucos lances da primeira parte junto à baliza encarnada, o Celtic, que até ao momento não tinha mostrado quaisquer argumentos para discutir o resultado, alcançou o empate num lance muito contestado pelos jogadores benfiquistas. As imagens televisivas deixam perceber que há um elemento escocês que, alheio à discussão do lance, se posiciona na pequena área com o único intuito de atrapalhar Artur Moraes, encostando-se ostensivamente ao guardião brasileiro. Fica a ideia de que Artur confiou demasiado na marcação da falta – algo que não sucedeu – e Samaras cabeceou sem oposição, ao segundo poste, para confirmar o 1-1.

Ao intervalo, ficava a ideia de que o Benfica estava a pagar um preço demasiado alto por um único lance do Celtic e, com o avançar do cronómetro, já dentro da segunda parte, essa sensação permanecia inalterada. Muitos se terão lembrado de Charisteas, outro grego que, no mesmo palco, assinara um dos momentos mais ‘negros’ do futebol português, e projectavam já um duelo com o Spartak pelo acesso à Liga Europa.

Desta vez, porém, a tragédia grega não saiu da prateleira e o Benfica chegou mesmo à vitória, num lance construído pelos dois… centrais. Luisão, imponente, subiu mais alto que toda a defesa escocesa, após cruzamento de Matic, e assistiu Garay que, sem deixar cair a bola, desferiu potente remate para o fundo das redes de Forster. A partir daqui, Jesus sentiu a necessidade de mexer na equipa para reforçar o domínio e, dessa forma, manter o Celtic longe do golo. Gaitán e Maxi entraram para os lugares de Lima e Matic e os escoceses não mais voltaram a encontrar a fórmula para romper a barreira encarnada. Os dois remates nos minutos finais, ainda que tenham dado algum trabalho a Artur, não chegaram para fazer perigar verdadeiramente a vantagem benfiquista.

Três pontos no bolso, missão cumprida e, para a próxima jornada, uma tarefa hercúlea para o Benfica: tentar fazer, em Camp Nou e no mínimo, o mesmo resultado que o Celtic fizer em casa, diante do Spartak. Dia 5 de Dezembro, às 19h45, decide-se em definitivo quem acompanha o Barcelona nas contas do apuramento do grupo G.

 

Não “houve Taça” em Moreira de Cónegos

 

Antes das lides europeias, o Benfica deslocara-se ao terreno do Moreirense, na noite de sexta-feira, para discutir a quarta eliminatória da Taça de Portugal. Paulo Lopes alinhou no lugar de Artur, Luisinho ocupou novamente o lado esquerdo da defesa, André Almeida surgiu à direita e, ao centro, Luisão fez o seu regresso após prolongado castigo. Na frente, Cardozo começou o jogo no banco e foi Rodrigo quem fez dupla com Lima no ataque às redes minhotas.

Na primeira parte assistiu-se a um fraco espectáculo de futebol, com escassas ocasiões de golo, ainda que a turma da Luz tenha evidenciado superioridade. Esse domínio era essencialmente territorial, com o Moreirense a ter grandes dificuldades em encontrar o caminho para a área de Paulo Lopes. Prova disso foi que o primeiro remate da turma axadrezada surgiu apenas aos 39 minutos.

A segunda metade, um pouco melhor, trouxe um Benfica mais próximo da área contrária e a ver a sua insistência premiada ao minuto 59, altura em que Anílton Júnior empurrou para a sua própria baliza uma bola rematada pelo sérvio Matic. Obrigado a ir em busca do empate, o Moreirense surgiu mais afoito, atrevendo-se em incursões mais frequentes ao último reduto encarnado. Aos 78 minutos, falha parcial de energia no Estádio Comendador Joaquim Almeida de Freitas, a qual haveria de tornar-se total antes de se resolver por completo. Reatado o encontro, cerca de 20 minutos depois, a pressão dos homens da casa manteve-se intensa mas acabou por ser o Benfica a dilatar a vantagem, no último lance do jogo. Gaitán arrancou pela esquerda e, na linha de fundo, descobriu Cardozo sozinho no coração da área para rubricar o 2-0. O adversário dos encarnados na próxima eliminatória será apurado entre Desp. Aves (II Liga), Coimbrões (II Divisão) e Caldas (III Divisão).

 

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