Análise ao Benfica 2012/13

Um Benfica mais vertiginoso, equilibrado, adulto e vertical é aquele que se apresenta na corrente época, em comparação com a época anterior. Tais características devem-se sobretudo à aquisição de novos jogadores. Nesta época o clube encarnado dispõe de um maior leque de opções o que permite uma melhor gestão do plantel.

Nas épocas anteriores o meses de Novembro e Dezembro costumam ser os melhores meses da equipa treinada por Jorge Jesus sendo que em Fevereiro e Março, o Benfica começa a cair de forma e acaba por perder pontos cruciais na luta pelo primeiro lugar do campeonato, ou seja, tem faltado consistência e regularidade ao clube da Luz quer seja por falta de opções, quer seja por falta de frescura física. Estes dois factores estão intimamente relacionados, na medida em que a falta de opções se traduz num maior desgaste físico pelos jogadores da equipa base.

A direcção e equipa técnica do Benfica aperceberam-se deste problema esta época e para tal, procuraram contratar alternativas viáveis para concorrer com os jogadores mais utilizados, o que permitirá uma maior rotatividade. A título de exemplo podemos referir as contratações de Paulo Lopes e Luisinho, a chamada à equipa principal de André Gomes e André Almeida e o retorno de emprestados como Carlos Martins.

Existem algumas individualidades que merecem ser destacadas como é o caso do jovem Melgarejo que passou de uma aposta de risco para uma aposta ganha, por parte do técnico Jorge Jesus. O extremo-esquerdo de origem passou a ser reconhecido como um lateral-esquerdo competente e que transporta para jogo uma grande velocidade e verticalidade o que permite ao Benfica alargar o seu jogo e poder alternar entre a faixa direito e a faixa esquerda, algo que não acontecia a época passada com a inclusão de Emerson uma vez que era pouco produtivo em termos ofensivos. Com Melgarejo, o Benfica ganha outra dimensão ofensiva fruto da sua juventude e irreverência ofensiva.

Matic e Enzo assumiram o miolo após as saídas de Javi e Witsel. Estilos diferentes mas os resultados são idênticos. Matic é diferente do encorpado espanhol que limpava tudo no seu raio de acção, contudo o trinco sérvio consegue alargar o seu campo de actuação o que faz com que tenha vindo a ganhar mais relevo na estratégia encarnada. Matic ocupa os espaços de forma muito inteligente, sabe compensar as subidas dos laterais, sabe dobrar os centrais e exerce uma pressão em zonas superiores do terreno face a Javi, esta pressão permite a que o Benfica recupere a bola em zonas mais ofensiva e desta forma, fique mais perto de zonas de finalização. Tais características, fazem com que Matic já tenha feito esquecer o espanhol Javi García nos corredores da Luz.

Quanto ao extremo-direito argentino, este sofreu um processo de adaptação semelhante ao de Melgarejo, neste caso, Enzo deixou as faixas laterais e passou a jogar no centro do terreno, isto deve-se sobretudo à sua disponibilidade física e táctica. Enzo consegue transportar para jogo a mesma intensidade com bola ou sem bola. Sabe posicionar-se e equilibrar quando é mais necessário. Perde-se o brilhantismo e a imprevisibilidade que tinha num flanco mas ganha-se um equilibrador, temporizador e mais importante que isso um construtor de jogo em momentos de transição.

Salvio e Ola John também têm vindo a desempenhar um papel fundamental na construção de jogo. Estes dois velozes extremos permitem ao Benfica estender o seu futebol e conseguem ainda, empolgar qualquer adepto pelas suas capacidades técnicas. Salvio é um velho conhecido dos portugueses e especificamente dos benfiquistas. A sua passagem anterior na Luz deixou saudade e agora o argentino tem demonstrado o porquê de ser aposta para esta época, fazendo valer todo o dinheiro investido em si, com golos e assistências.

O caso do jovem holandês, Ola John, é bem diferente e complexo. O extremo sofreu de um longo período de adaptação mas neste momento já ganhou o seu espaço na equipa e cada vez que a bola lhe chega aos pés, os benfiquistas levantam-se com ansiedade e na esperança de ver reinventada alguma finta ou movimento novo de tão imprevisível que o jovem natural da Libéria é.

Lima é outro dos jogadores que tem estado em destaque. O brasileiro que chegou do Braga já leva 8 golos marcados, 6 deles na Liga. Dos 6 golos, 5 foram marcados fora de portas o que transforma Lima num talismã em jogos fora. O avançado tem feito dupla com Cardozo na frente do clube encarnado e os dois sul-americanos sabem entender-se muito bem. Lima joga nas costas de Cardozo de forma a servi-lo, contudo muitas das vezes Cardozo consegue agarrar a marcação e permite ao brasileiro penetrar zonas de finalização. Quando não joga Tacuara, Jesus opta por lançar Rodrigo, fazendo com que Lima se afigure como a referência do ataque benfiquista com Rodrigo a apoiá-lo.

Luisão voltou e tem estado seguro juntamente com Garay que na ausência do capitão liderou a defensiva encarnada juntamente com Jardel que cumpriu muito bem o seu papel. Maxi continua a penetrar a defensiva adversária com igual facilidade como fazia anteriormente, contudo tem mostrado algumas debilidades no que toca ao processo defensivo, nomeadamente à transição defensiva, tal facto pode-se dever à sua má forma.

Para além destes jogadores já referenciados, Jorge Jesus tem à sua disposição alternativas viáveis ao onze base como é o caso de Luisinho, Jardel, André Almeida, Carlos Martins, Pablo Aimar, Nolito, Gaitán e Bruno César. Este conjunto de jogadores possibilita ao Benfica uma gestão mais eficaz do esforço físico devido aos jogos da Liga dos Campeões e Taça de Portugal. Neste caso, quantidade é sinónimo de qualidade e tal qualidade só se pode reflectir em bons resultados. O Benfica só conhece o sabor das vitórias nos últimos 7 jogos.

O próximo jogo é de uma dificuldade extrema, os pupilos de Jesus deslocam-se até Camp Nou para enfrentar o Barcelona na tentativa de conseguir obter a qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. O Benfica terá de mudar a sua atitude face ao jogo na Luz se quiser ganhar. A tarefa é tudo menos fácil e a equipa encarnada terá de conseguir exercer uma pressão mais eficiente em algumas zonas, nomeadamente no meio-campo. Será necessário uma maior disponibilidade física para conseguir roubar a bola no meio-campo e lançar em transições rápidas. Esta é a fórmula de sucesso se o Benfica quiser continuar em prova. A concessão de espaços, apenas levará a que o Barcelona tenha espaço e tempo para pensar e executar todos os seus movimentos e nuances tácticas. O Benfica terá a seu lado uma vantagem enorme, não tem jogo para a Taça e como tal Jesus tem muitos dias para preparar este jogo. Tudo ou nada é o que se jogará em Camp Nou dia 5 de Dezembro.

De relembrar que o mês de Dezembro afigura-se como um mês complicado para o Benfica. Será precisamente em Dezembro que veremos se o Benfica tem estofo para os grandes palcos como é o caso da Liga dos Campeões, Liga com o Sporting em Alvalade e Marítimo na Luz, Taça da Liga com Olhanense e Moreirense fora e Taça de Portugal com o adversário ainda por definir.

 

 

 

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