Recordar 61

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De hoje não passa. O Benfica discute, em Barcelona, o acesso à fase seguinte da Liga dos Campeões, ciente de que tem entre mãos uma das tarefas mais complicadas da sua história: fazer o mesmo resultado, em pleno Camp Nou, que o Celtic alcançar em Glasgow frente ao Spartak de Moscovo. Só a vitória garante a salvação mas, do outro lado, Messi já avisou que não vai haver facilidades e afirmou mesmo que os adeptos escoceses merecem a continuidade na liga milionária. Nas hostes portuguesas, porém, alimenta-se a esperança de que se repita – agora a cores – aquele 30 de Maio de 1961*.

 

Quando o Benfica subir ao relvado, pelas 19h45, talvez sinta não uma, mas duas inclinações no campo. A primeira, pelo inegável valor da formação catalã, que contará pelos dedos de uma mão as equipas a que não conseguiu superiorizar-se desde que Pep Guardiola assumiu os comandos da equipa, em 2008. Em quatro épocas, os “blaugrana” somaram 14 títulos oficiais contra apenas cinco do conjunto português, e a transição para a “Era Vilanova”, ao contrário de tirar fulgor à equipa, pareceu acentuar os seus instintos dominadores: primeiro lugar na liga espanhola, com o Real Madrid a 11 pontos, e apuramento tranquilo para os “oitavos” da Champions.

Somando apenas isto, percebia-se já que a tarefa encarnada seria tudo menos fácil. Bater o Barcelona em Camp Nou é um feito de que muito poucos se podem gabar e, apesar de Celtic e Spartak até terem estado em vantagem no reduto catalão, a verdade é que foram incapazes de pontuar. Mas as contas são mais complicadas. Não se pode esquecer que o Celtic, rival directo do Benfica na luta pelo apuramento, recebe um já eliminado Spartak de Moscovo e, por isso, a probabilidade de alcançar um resultado positivo é bastante alta.

Em teoria, analisando os desafios desta noite, os “católicos” de Glasgow parecem partir em vantagem para seguir em frente na Liga dos Campeões, mas o Benfica poderá ter uma pequena palavra a dizer. É sabido que o Barcelona tem a melhor equipa do grupo – quanto a isso, nenhuma dúvida – mas essa superioridade de nada lhe valeu na visita a Glasgow, onde foi batido pelo Celtic por 2-1, e não impediu escoceses e russos de se terem colocado na frente do marcador em Camp Nou, conforme já foi referido. Se se partir deste último dado, e considerando que o Benfica possui uma formação com mais argumentos que Celtic e Spartak, talvez se possa inferir que os encarnados dispõem de uma real oportunidade para fazer estragos na casa “blaugrana”, se forem capazes de marcar primeiro e não perder a compostura perante a poderosa ofensiva catalã. É uma hipótese ínfima, é certo, mas é a ela que Jorge Jesus vai querer agarrar-se quando soar o apito inicial do juíz norueguês Svein Oddvar Moen.

 

Ficaram quatro em Lisboa

O que não deixa qualquer dúvida para este encontro são as ausências de Carlos Martins, Aimar, Enzo Pérez e Salvio. A contas com problemas físicos, o quarteto ficou mesmo em Lisboa e pode até passar a quinteto, se Melgarejo, que saiu mais cedo do treino de ontem, não recuperar por completo nas próximas horas. A confirmar-se este cenário, a titularidade deve ser entregue a Luisinho, que deu boas indicações nas partidas diante de Gil Vicente e V. Guimarães, a contar para o campeonato.

Desta forma, e perante um boletim clínico tão preenchido, Jorge Jesus vê-se forçado a improvisar um novo onze, que deverá contar com Artur na baliza, Maxi Pereira, Luisão, Garay e Melgarejo – ou Luisinho -, Matic à frente dos centrais, Ola John e Nolito, nas alas, e Lima na frente. Para as duas posições que faltam, apenas uma certeza: Jesus vai apostar numa equipa mais povoada no meio campo, com André Almeida ou André Gomes a reforçar a zona de Matic. O técnico encarnado já havia, de resto, confirmado isso mesmo, em conferência de imprensa, pelo que é de esperar ver um dos portugueses no onze inicial. Quanto à outra lacuna, o lugar de médio criativo, a dúvida persiste, já que Jesus pode optar por um Rodrigo polivalente, distribuindo jogo e actuando como segundo ponta-de-lança sempre que necessário, ou colocar Bruno César e ganhar, desse modo, maior poder de fogo na meia distância. No meio de tantas trocas, só o brasileiro Lima parece não ter a titularidade em risco, já que a sua maior mobilidade pode ser um trunfo importante para fazer frente à defesa catalã, que é reconhecidamente o sector menos produtivo dos “culés”. Ainda assim, a veia goleadora de Cardozo deve granjear ao paraguaio vários minutos de jogo em Camp Nou, senão mesmo a titularidade que, a acontecer, dificilmente seria uma surpresa na nação benfiquista.

O discurso dos últimos dias tem sido o que se impõe nestas ocasiões, com técnico e plantel a garantir que vão procurar vencer o encontro diante do “Barça” e carimbar o passaporte para os oitavos-de-final da prova. Confiança não parece faltar mas é logo mais, dentro das quatro linhas, que o Benfica vai ter de mostrar que é capaz de manter aberta a “torneira dos milhões”, que pode fazer a diferença entre ir ao mercado em Janeiro ou ficar apenas a assistir.

 

*[NDR – data em que o Benfica bateu o Barcelona por 3-2, conquistando a sua primeira Taça dos Clubes Campeões Europeus]

 

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