O método Antero Henrique

Se há um homem que pode dizer que deu muito dinheiro ao seu clube e que nem por isso deixou de estar na elite do futebol europeu, é Antero Henrique, actual director desportivo do FC Porto. É o aprendiz de Pinto da Costa e é o responsável por levar a cabo o método Porto: contratar jovens talentos para vende-los como estrelas.

Em 2004, o Porto treinado por Mourinho, conseguiu a 2ª Liga dos Campeões da história do clube. Nesse mesmo verão, Pinto da Costa decide fazer dinheiro vendendo as principais estrelas da equipa. Um total de 54 milhões de euros de lucro foi o total que entrou nos cofres do Dragão. O Porto tinha vendido os seus principais jogadores por um total de 104 milhões, o total gasto anteriormente tinha sido de 50. Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Deco, Derlei ou Carlos Alberto foram transferidos para grandes clubes europeus aproveitando o prestigio que ganhar uma Champions dá.

Mais na edição 26 da próxima semana.

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Os adversários das equipas portuguesas na Liga Europa

Quis o sorteio, realizado no final da manhã de 31 de agosto, que a Académica de Coimbra (que estava no quarto e último pote) ficasse colocada no Grupo B da Liga Europa juntamente com o Atlético de Madrid (detentor da prova e recém-vencedor da Supertaça Europeia), o Hapoel Tel Aviv (Israel) e o Plzen (República Checa). Se o facto de ter “caído” no grupo do Atlético Madrid foi uma das piores notícias (em termos desportivos) que poderia ter, a restante constituição do grupo pode deixar algumas esperanças de, pelo menos, discutir o segundo lugar do grupo, lugar que garantirá a passagem à próxima fase da competição. Vamos então analisar os adversários da Académica de Coimbra:

Atlético Madrid – Falcao e mais dez

 

O Atlético Madrid foi o 5º classificado da Liga BBVA 2011/2012 a 2 pontos do 4º lugar, posição que lhe daria acesso à Liga dos Campeões, mas, tendo em conta a recuperação encetada pela equipa desde a chegada do argentino Simeone aos comandos do clube (entrou à 18ª jornada quando a equipa ocupava um modesto 11º posto a 8 pontos do 4º classificado), pode-se imaginar que o lugar dos colchoneros não é nesta competição. Esta ideia é reforçada pela exibição portentosa e resultado desnivelado alcançado perante o Chelsea (vitória por 4-1) na Supertaça Europeia em mais uma demonstração de alto gabarito da estrela da companhia, Radamel Falcao, autor de três golos, mais um do que havia feito na final da Liga Europa, no triunfo por 3-0 sobre o Athletic Bilbau.

Em relação à temporada passada destacam-se as saídas do colombiano Luis Perea, do argentino Salvio (para o Benfica) e do brasileiro Diego (regresso ao Wolfsburg) e as entradas de Cisma (Racing Santander), Raúl Garcia (Osasuna), Diego Costa (Rayo Vallecano), Belözoğlu (Fenerbahçe) e Cristián Rodríguez (FC Porto) para além da manutenção do empréstimo do guardião belga Courtois pertencente aos quadros do Chelsea.

No plantel, para além do goleador Falcao, destacam-se ainda as presenças dos portugueses Sílvio e Tiago e jogadores como Miranda, Juanfran e Arda Turan garantem ao clube a qualidade suficiente para ser apontada como a grande favorita ao triunfo no grupo e até a altos voos na competição.

 

 

Hapoel Tel Aviv – o inferno israelita

 

O Hapoel Tel Aviv é uma formação israelita acostumada às andanças europeias que terminou o último campeonato na quinta posição a apenas dois pontos do segundo lugar e chega a esta competição, tal como a equipa de Coimbra, depois de ter vencido a Taça do seu país mas, devido à posição do ranking, o segundo adversário da Briosa teve de ultrapassar o play-off de acesso à fase de grupos da Liga Europa, batendo os luxemburgueses do Dudelange num total de 7-1 na eliminatória (vitória por 1-3 no Luxemburgo e de 4-0 em Israel).

Numa equipa sem grandes estrelas (apenas 5 jogadores não são israelitas) o nome de Djemba-Djemba salta à vista, uma vez que o camaronês já alinhou em equipas como Manchester United e Aston Villa e chegou esta temporada ao clube (proveniente do Odense) para substituir Nosa Igiebor (transferido para o Betis), é o colectivo a maior força desta formação e o seu reduto um verdadeiro vulcão onde os adversários sentem bem a presença do 12º jogador.

Nesta temporada, para além dos dois triunfos sobre o Dudelange, o Hapoel venceu os dois jogos já disputados do campeonato (um a zero no terreno do Hapoel Ramat Gan e dois zero em casa frente ao  Hapoel Haifa).

 

Plzen – os checos à procura de um lugar ao sol

 

A equipa do Plzen terminou na terceira posição o campeonato checo de 2011/2012 a apenas três pontos do campeão (Slovan Liberec) e a um do segundo classificado (Sparta de Praga) alcançando 19 triunfos em 30 jogos, com seis empates e cinco derrotas e, esta temporada, ao fim de seis jogos, segue na segunda posição com 13 pontos, fruto de quatro triunfos, um empate e uma derrota.

Para esta temporada, a equipa perdeu Václav Pilar para o Wolfsburg, Milan Petrzela para o Augsburg e Marek Cech para o Sparta de Praga, entrando para os quadros do clube o arménio Edgar Malakyan (Pyunik), o eslovaco Matúš Kozáčik (Anorthosis) e mais sete checos desconhecidos que se juntam a um tal de Pavel Horváth que, aos 37 anos, poderá regressar a Portugal depois de uma curta e infrutífera passagem por Alvalade entre 2000 e 2002 que, apesar de tudo, lhe rendeu um Campeonato e uma Supertaça.

A equipa checa, à semelhança da israelita, fará do conjunto a sua força mas poucas hipóteses terá de pontuar com o Atlético Madrid, caso os colchoneros façam jus à sua superioridade técnica e à qualidade individual dos seus jogadores.

A primeira jornada arrancará no próximo dia 20 de Setembro com os jogos Hapoel Tel Aviv – Atletico Madrid e Plzen – Académica.

Sporting

 

Sporting parte como o grande favorito à conquista do grupo G da Liga Europa. Depois de afastar no playoff o Horsens, da Dinamarca, a equipa leonina, integrada no pote 1, conseguiu evitar alguns dos principais adversários que lhe podiam calhar em sorte como o Nápoles e a Lázio, de Itália, o Atlético Bilbau, de Espanha, o Newcastle, de Inglaterra, ou Anzhi, da Rússia. Quis o sorteio que calhasse ao Sporting o Basileia (Suíça), Genk (Bélgica) e Videoton (Húngria).

A equipa suíça surge na fase de grupos da Liga Europa depois de ter falhado o acesso à Liga dos Campeões, sendo afastada na pré-eliminatória pelo Cluj (3-1 no conjunto das duas mãos).  Apesar de algumas passagens marcantes na Champions, o Basileia ficou na temporada passada associado negativamente à prova ao registar a pior derrota de sempre na competição (7-0 frente ao Bayern de Munique). Para esta época os suíços perderam a sua principal estrela, Shaqiri, precisamente para a equipa de Munique a troco de 11,8 milhões de euros. Também Xhaka se transferiu para a Alemanha, concretamente para o Borussia Moenchengladbach (por 8,5 milhões de euros). No sentido inverso, o chileno Marcelo Diaz (ex-Universidade do Chile) representou a principal aquisição (4 milhões de euros) sendo que o argentino Gaston Sauro (ex-Boca Juniores) fechou o lote de contratações da equipa treinada pelo alemão Hoiko Vogel.

Genk, sexto classificado do campeonato belga, é uma equipa jovem que apresenta uma média de idades de 23 anos, em que apenas dois jogadores (os avançados Barda e Buffel) têm mais de 30. Para esta época a equipa treinada pelo holandês Mario Been (que cumpre a segunda época no Genk) fez uma pequena revolução, contratando 12 jogadores e vendendo 17, entre os quais Kevin de Bruyn, para o Chelsea (8 milhões de euros) e o congolês Christian Benteke, para o Aston Villa (8,8 milhões de euros). Apesar dos belgas terem facturado cerca de 20 milhões de euros em vendas, gastaram apenas 2 milhões e todos no defesa Katutu Tshimanga (ex-Lokoren). Em termos europeus, para alcançar a fase de grupos,os belgas afastaram nas pré-eliminatórias o Aktob, do Cazaquistão, (3-1 no conjunto das duas mãos) e o Luzern, da Suíça, (3-2-no conjunto das duas mãos).

Os húngaros do Videoton apresentam-se, porventura, como os mais desconhecidos entre os portugueses mas são, por outro lado, aqueles que neste momento mais ligação mantêm com o Sporting.  A começar pelo treinador Paulo Sousa, ex-jogador dos leões, e a terminar em Renato Neto, cedido a título de empréstimo pelo clube de Alvalade. Também o defesa central Marco Caneira, ex-jogador do Sporting, está integrado nesta equipa húngara que eliminou o Trazbzonsport, da Turquia, no playoff de apuramento, na discussão por grandes penalidades após o nulo registado em toda a eliminatória. De referir que a equipa húngara conta ainda com outro português na equipa. Trata-se de Filipe Oliveira, 28 anos, que chegou ao Videoton a época passada depois de ter representado o Braga, o Torino e o Parma. Também Evandro Brandão integra os quadros da formação húngara, mas foi esta época cedido ao Olhanense a título de empréstimo.

O treinador do Sporting, Ricardo Sá Pinto, refere que é “preciso respeitar os adversários“, mas não esconde a ambição de “voltar a fazer uma grande campanha na Liga Europa“, depois de na temporada passada ter caído nas meias-finais diante o Atlético de Bilbau. ”Mantendo a atitude certa estaremos mais próximos de conseguir os nossos objetivos de apuramento. Sei que vamos entrar em cada jogo com o espírito de ganhar e é esse espírito que nos anima e que deve animar todos os sportinguistas”, declarou o técnico.  Para confirmar o favoritismo no grupo o Sporting terá que fazer golos, um dos problemas que mais salta à vista neste início de época. Com Van Wolfwinkel como principal (e única) referência no ataque dos leões, o desafio de Sá Pinto passará por encontrar um modelo de jogo em que o Sporting consiga ser mais eficaz e ter mais presença na área adversária.

 

Marítimo

 

 

O CS Marítimo participa pela primeira vez na Fase de Grupos da Liga Europa. Várias foram as vezes em que a equipa tentou, mas só agora conseguiu, depois de bater o Asteras Tripoli (1-1 fora e 0-0 em casa) na 3ª Pré-eliminatória e o Dila gori (1-0 em casa e 0-2 fora) no Play-off.

Na primeira participação, nada pior, do ponto de vista desportivo, do que os três adversários sorteados (Newcastle United, FC Bordéus e Club Brugge), que, além de terem mais experiência nesta competição, são mais dotados em termos individuais, contando nas suas fileiras com vários jogadores internacionais.

Sem quaisquer rodeios, a única hipótese do CS Marítimo residirá nos resultados em casa, uma vez que o seu treinador, Pedro Martins, é muito inteligente taticamente.

Do ponto de vista financeiro, dificilmente se poderia pedir mais, uma vez que, particularmente, Newcastle United e FC Bordéus são duas equipas muito conhecidas e com muitos adeptos, o que ajudará a encher o Estádio dos Barreiros e os cofres maritimistas.
Esta fase da competição começa no próximo dia 20 de setembro.

 

 

Newcastle

Curiosidades da última temporada:Na última época, o Newcastle United teve um excelente desempenho na Premier League. Ficou em 5º lugar, venceu 19 partidas, empatou 8 e perdeu 11, o que prova que esta é uma equipa que gosta de resolver tudo na hora.
Em termos de golos, o Newcastle United foi bastante equilibrado: marcou 56, mas sofreu 51, o que revela algumas debilidades defensivas. Em casa, empatou 5 vezes, perdeu apenas 3 (menos 1 do que o Chelsea FC) e sofreu apenas 17 golos, estando entre as oito melhores defesas em casa. Fora, a histórias foi outra: 34 golos sofridos, 8 derrotas e 3 empates. Em médias, marcou 1,47 por jogo e sofreu 1,34 por partida.
Desde o começo, este sempre entre os sete primeiros classificados, o que denota regularidade, pelo menos, nos resultados.

 

Club Brugge

 

Curiosidades da última temporada:Na última época, o Club Brugge voltou a apresentar-se a um bom nível na principal Liga belga. Ficou em 2º lugar, atrás do poderoso Anderlecht. Marcou 51 golos, sofreu 32. Conseguiu 19 vitórias, uma a menos do que o campeão, mas perdeu por 7 vezes, empatando ainda 4 partidas. A sua força esteve particularmente em casa, onde venceu por 12 vezes, empatou 1 jogo e perdeu 2. Marcou 30 golos e sofreu 10, sendo o 5º melhor ataque e a 2ª melhor defesa. Em média, marcou 1,70 por jogo e sofreu 0,67 por partida.
Fora do seu terreno, venceu 7 vezes, as mesmas que o campeão, empatou 3 e perdeu 5. Marcou 21 golos e sofreu 22, perdendo aqui o título para o Anderlecht. Foi o 4º melhor ataque e a 5ª melhor defesa a jogar fora.  Em média, marcou 1,40 golos por jogo e sofreu 1,47 por partida. No geral, foi a 2ª equipa mais forte em casa e a 3ª fora do seu campo.
Em termos de percurso, andou praticamente sempre entre os cinco primeiros lugares, sendo que nas primeiras dez jornadas atingiu algumas vezes o 1º lugar.
Na Liga Europa do último ano, ficou no grupo do SC Braga, tendo vencido 1-2 em Braga e empatado 1-1 na Bélgica.

 

Bordéus

 

Curiosidades da última temporada:Depois de um começo horrível, o FC Bordéus recuperou e, graças a uma ponta final fantástica, terminou no 5º lugar, a apenas quatro pontos do Ol. Lyon. Apesar de a parte inicial parecer catastrófica, a verdade é que o FC Bordéus teve “apenas” 9 derrotas, três a menos do que o Ol. Lyon (4º classificado). A equipa venceu 16 jogos e teve 13 empates. A sua grande arma foi o seu estádio, onde venceu 9 vezes, empatou 8 e perdeu apenas 2, num total de 25 golos marcados e 14 sofridos. A média de golos marcados em casa foi de 1,32; a de golos sofridos foi 0,74. Defensivamente, em casa, o FC Bordéus foi a 4ª melhor equipa.
Fora de casa, a equipa também não esteve nada mal: venceu 7 partidas, empatou 5 e perdeu 7, marcando 28 golos e sofrendo 27, o que dá uma média de 1,47 e de 1,42 respetivamente.
Em termos de Ranking nos jogos fora, o FC Bordéus foi o 3º melhor ataque e a 12º melhor defesa.
A progressão na Ligue 1 revela que a equipa teve muitas dificuldades na tabela até à 15ª jornada, marcando presença na segunda metade. A partir dessa jornada, tudo melhorou e a equipa andou sempre entre o 9º e o 7º lugar, conseguindo o 5º posto nas últimas duas jornadas.

 

A lei de empréstimos da Liga

A notícia apanhou (quase) todos de surpresa: deixou de ser possível emprestar jogadores entre clubes da Primeira Liga portuguesa. O que antigamente era um procedimento normal e aceite sem quaisquer reservas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) e Federação Portuguesa de Futebol (FPF) foi agora vetado em Assembleia Geral Extraordinária da LPFP pela maioria dos clubes. Continuar a ler

Um dia da caça e outro do caçador

Congelar e cortar os caminhos do galgo português eram os objectivos de uma selecção espanhola que se viu afogada numa prisão de jogadores brancos. Portugal pôs em agonia a uma Espanha que nunca renunciou ao seu estilo.

A final nunca esteve tão perto, Portugal dominou o jogo a partir da superioridade psicológica e atlética. Os jogadores espanhóis não se atreviam a aventurar-se na selva defensiva portuguesa. Vicente Del Bosque respeitou demasiado Portugal, tentando sempre que o atrevimento dos portugueses não causasse muitos estragos. Esses estragos passavam pela jogada “Cristiano”: recuperação da bola, auto-estrada e bomba. Aos 92 esteve perto de consegui-lo. Continuar a ler

A fúria espanhola


Portugal terá pela frente a favorita Espanha, uma equipa madura com um estilo de jogo bem conhecido, que se baseia sobretudo na posse de bola. A sua grande caracteristica a nível ofensivo, é a criação rápida de linhas de passe e constante movimentação dos seus jogadores procurando os espaços vazios. Os laterais têm um papel importante na equipa, subindo com regularidade e aparecendo nas costas da defesa aproveitando os espaços criados pelas diagonais dos seus alas.

Portugal terá que ser capaz de destruir a teia montada pelo fortissimo meio campo de “nuestros hermanos”. Com solidariedade nas dobras e sobretudo rapidez e atitude, os lusos serão obrigados a reduzir os espaços entrelinhas e cuidar as costas dos laterais.

Esta seleção portuguesa já mostrou contra a Alemanha, um elevado potencial defensivo, o que garante a Paulo Bento confiança, ou se quisermos utilizar a sua expressão favorita, tranquilidade. O problema estará a nível ofensivo, a transição defesa ataque é o grande desafio para este jogo, prevendo-se bastante trabalho para Moutinho e Meireles. Os médios portugueses, com excelentes atributos Box-to-Box (capacidade de jogar nas duas áreas de jogo), serão a chave para esta partida. Com a obrigação de recuar ajudando na destruição de linhas de passe e reduzindo ao máximo os espaços no meio campo, é-lhes igualmente pedido que conetem o jogo defensivo com o jogo ofensivo da seleção nacional.

Certo é, que Espanha tentará anular o ataque português pressionando a primeira linha, para responder a isso, Paulo Bento necessitará de um ponta-de-lança capaz de segurar o jogo e ganhar tempo para que Moutinho ou Meireles recuperem as suas posições ofensivas. Neste setor, Paulo Bento será obrigado a mexer no onze, com a ausência forçada de Postiga, só o técnico português sabe quem estará em melhores condições para entrar de ínicio.

Cristiano Ronaldo, será um problema para Espanha se a transição defesa ataque funcionar, e se Portugal for capaz de jogar no ultimo terço do campo. No último jogo oficial entre ambos, precisamente no Mundial 2010, a Espanha conseguiu anular a presença do 7 português, obrigando a seleção nacional a elaborar passes em profundidade facilmente controlados pela rápida defesa espanhola. É certo que o estilo de jogo mudou com Paulo Bento, esta equipa tem mais capacidade de posse de bola, ao contrário da equipa de Queirós, que perdia capacidade de passe com Pepe a médio defensivo. Portugal está melhor que no Mundial passado, a troca de João Pereira por Ricardo Costa, de Ricardo Carvalho por Miguel Veloso, recuando Pepe para central, de Tiago por Moutinho e Nani por Simão, dão outra frescura a esta seleção, mais velocidade e atitude na transição de bola e mais poder de transporte de jogo.

Quanto ao aspeto tático de ambas as equipas, não haverá surpresas, jogarão com o seu estilo de jogo habitual, por certo bastante maduro e personalizado. As únicas dúvidas residem no 11 inicial, precisamente no tão discutido número 9. O mais provável será que Del Bosque mantenha Fabregas, e que Paulo Bento confíe em Hugo Almeida para entrar de inicio.

Paulo Bento, conta com todo o plantel disponível, à exceção do lesionado Postiga. Os jogadores que estavam em risco de suspensão, Fábio Coentrão, Cristiano Ronaldo, Raul Meireles, João Pereira, Hélder Postiga, Miguel Veloso e Nani conseguiram “limpar” os seus amarelos, ou seja, mesmo que um destes jogadores veja o amarelo, poderá disputar a final de Kiev.

A nível de favoritismo, já aqui foi dito que Espanha leva vantagem, mas é bom dar uma vista de olhos às estatísticas. Em 7 jogos oficiais disputados entre estas duas seleções, 2 resultaram num empate, 4 em vitórias da Espanha e apenas 1 em vitória para Portuga. A vitória portuguesa foi precisamente no único campeonato europeu em que Portugal chegou à final, o de 2004, com golo de Nuno Gomes no estádio de Alvalade. 

Não fazia sentido terminar esta previsão sem antes falar no último jogo entre ambas as equipas, apesar de amigável, é um bom preságio para a seleção nacional, os 4 a 0 no estádio da luz deixam boas indicações para a seleção nacional e mostram o caminho certo para eliminar esta favorita espanha. Relativo a esse jogo, talvez a ausência de Carlos Martins seja a única grande nota, o português esteve bastante bem na conexão defesa ataque, aparecendo varias vezes na zona de finalização. Esperemos então, que especialmente Moutinho, continue com o seu elevado nível de qualidade e continue a brilhar neste europeu, fazendo esquecer o tal numero 10 que tanto falta nos faz.

Estão assim lançados os dados, Portugal poderá provar neste jogo que cresceu durante este Europeu, e que se encontra preparado para derrubar a favorita Espanha seguindo o seu imaculado caminho para mais uma final europeia.

A posse defensiva

A grande qualidade desta Espanha não é a precisão de passe, não nos enganemos. Apesar da estética do jogo e dos títulos conquistados, a arma diferencial dos espanhóis é a defesa. Como foi possível reduzir a nada o calibre de Ribery e Benzema que acabaram com nenhum remate em 90 minutos? Espanha roubou a bola ao adversário de forma surreal e isso leva-nos á conclusão que são a melhor equipa a proteger a baliza.

Desta vez encontra-se com um futebolista único no panorama internacional. O único jogador que é uma fase de jogo em si. Cristiano é a transição ofensiva de Portugal, sem necessidade de fazer mais. Pode estar a 40 metros que o pânico instala-se e resta ao adversário rezar que ele tenha um dia mau. Não há defesa que valha, Cristiano vai correr e enfrenta-la. Para evitar isto, a Espanha dará um soporífero á bola por via de passes, procurando o tormento da alma impaciente de CR7.

Já falta pouco…

Questão de Timing

Em pleno dia de decisões na campanha Lusa para o Europeu 2012, um jornal desportivo português decidiu dar destaque na sua capa de domingo à entrevista exclusiva de Jorge Jesus, em detrimento de uma capa inspiradora, nacionalista e motivadora de apoio a seleção nacional rumo ao quartos-de-final. Penso que esta atitude, retrata um pouco a falta de nacionalismo que paira sobre o nosso país. Que raio de vício de menosprezar o que é nacional. Será que vamos viver eternamente na teia arcaica, que tende a valoriza o que é nacional, apenas, quando estes são valorizados além-fronteiras? O futebol nacional, necessita de uma injeção geral de união e cooperativismo. Chegou altura de remarmos juntos na mesma direção. Como amante incalculável da modalidade, é um prazer para mim ter oportunidade de ler, aprender e questionar os pensamentos partilhados pelos treinadores nacionais em entrevistas exclusivas, contudo é necessário TIMING e respeito.

Em relação a entrevista de Jorge Jesus, gostaria de relembrar os caros leitores, que na primeira edição do Jornal Dez, a minha crónica debruçou-se perante a problemática pela qual o Benfica não tem conseguido obter o sucesso durante as duas ultimas temporadas. Pois bem, em vésperas do arranque da nova pré-temporada, Jorge Jesus decidiu conceder uma entrevista, na qual mencionou e justificou que não conquistou nenhum troféu de relevo, pois pensava que poderia ganhar as duas competições mais importantes: Champions League e o campeonato nacional: Continuar a ler